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Piazzas VI

Deito nas costas de um vagabundo qualquer entre a correria das pessoas apressadas.
Deito no descanso de anjos arrependidos, dos suplicantes e suicidas.

Um silêncio me toma, um silêncio come as paredes da minha alma. Posso ouvir as carícias do mar, de um mar tão distante, num daqueles que poderia me refrescar e lavar minhas mãos cheias de culpa e ódio metropolitano.

Cavo um poço com as britadeiras dos meus olhos sangrentos e os estilhaços lapidam os corações de todos os seres rastejantes do vale do Anhangabaú. Faíscas iluminam a face das crianças seminuas e começo a desaprender todos os dialetos das maldades e no fim sonho com as turbulências do meu mar infinito.

Apologia ao crime & panfletos paranoicos não trarão jaulas sem paredes, não resisto as pedras, não encaro o cachimbo, mais mil anos e ainda estaremos aflitos.

Almoço frio & suco gástrico onde reina a fome obstinada dos pombos. E eu só queria a alegria intensa da travesti ao saltar nos viadutos de molas soltas.

Já não desejo a morte dos mercadores, mas sonho com víboras em seus pratos fartos e cólicas assombrosas. Já não me importa os delitos, os contratos, o sexo atrás do lixo e as blasfêmias ao pé do ouvido.

E eu só queria a alegria intensa da travesti ao saltar nos viadutos de molas soltas.

Postado por | | 109 Comentários .

Thiago Hernandez
Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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E eu só queria a alegria intensa da travesti ao saltar nos viadutos de molas soltas.

Piazzas VI

Quem tem medo já perdeu Quem perdeu já não tem medo

Pelo que trocaria tudo?

39
Sou feliz no seu sono que mata o domingo E no resmungo ao meu beijo quando dormindo

Na sombra do seu sorriso

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Verso livre

Meu verso livre.

Meu verso livre, sufocado.

Meu verso livre, raquítico, anêmico.

Meu verso livre, assalariado,
não pagou as últimas contas, endividado.

Meu verso livre lembrou quando riu da chuva.

Meu verso livre, preocupado demais como se ama e deve amar.

Meu verso. Atraído em jaulas que teorizam liberdade.

Meu verso, olhando a janela. Será que hoje chove?

E o teu verso, é livre?

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Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra
Nem admitirei ser fraco ou omisso
Aqui quem fala é que nunca espera
É quem fez de verdade da luta compromisso.

Não aceito seu preconceito descabido
Sua neura e sua falta de argumento
Me deixe então com meu livre arbítrio!
Já que não me é possível aceitar seu posicionamento

Cansei de apanhar pelo que acredito
Parei de conversar com quem crê na diferença
Cansei de mentir que sua intolerância eu admito
Nunca mais tratarei sua burrice com paciência

100
pitangao

Estatuto do poeta

Atenção Poetas da Silva:

Está proibido viver de ilusão:
A ilusão mata!
É proibido supor!
Ou é vida ou morte!
Amor ou ódio!
Não suponha!

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