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Sobre a ilusão de não possuir eira ou beira

Grita o celular a hora de levantar
E o dia a dia é sempre desgraçado
Pelos sorrisos sem significado
Que as convenções nos obrigam a dar

Me visto da minha melhor roupa
Pra ir pro mesmo lugar de sempre
E a alegria é quase sempre pouca
Mas meu sorriso facilmente mente

E lutar pra quê?
Se não tenho futuro
É tiro no escuro
Optar por querer.

E lutar pra quê?
Se nada tenho
Aqui eu venho
Só pra obedecer

Engulo seco o sapo
Raspo o taxo da vergonha
Pra levitar uso maconha
E não me venha com seu papo

Melhor ser louco
Que ser são
Num mundo torto
Mas de pés no chão

Prefiro as nuvens que chovem em mim
O céu cinza claro da minha cabeceira
A cerveja gelada que se me acalma sim
E a ilusão que não possuo eira ou beira

Desejo o mesmo beijo de ontem e semana passada
Rio da sua risada frouxa de quem pode ser feliz
E ai as horas já não significam quase nada
Porque olho pra nossa alegria e vejo que eu que fiz

E se não for isso o segredo que se persegue
Se o segredo for algo ainda mais inalcançável
Eu me permito a bela ignorância confortável
De poder levar o comigo o sol que mais ninguém percebe

Postado por | | 130 Comentários .

Beto de Souza
Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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A vida quer seus miolos de elástico rompendo fronteiras. A bancada da bala quer impor paz com um instrumento que promove medo, domínio, morte e muito dinheiro. Aqui se lucra na desgraça alheia. Oportunidade de negócio, superfaturar arroz pra faminto.

Não sou dessa ordem, nem desse progresso. Sou o acaso das crianças sem escolas. Sou a saia molestada em transportes públicos, sou a sorte da minha conta bancária, um papelão improvisado pra ser cama.

Enquanto não sentirmos as dores dos desafortunados seremos o golpe que asfixia oportunidades, o silêncio frente todas as violências, a herança de todos os miseráveis.

Não quero a fúria dos letrados pela palavra do senhor, nem a jaula milimétrica dos leões. Meus miolos rompendo fronteiras nunca mais vão voltar pra casa. Nunca mais ouvir os discursos editados pela vida apressada e sorrateira. Filosofia em 30 segundos, receita em 30 segundos. Não deu saudade dos comercias de TV. Abdômen definido com apenas 15 minutos ao dia. Cogumelo do Sol listrado.

Nascer quadrado e morrer metade frio, metade assalariado.

Piscina de correntes para mergulhar a alegria das crianças mortas. Sinta as dores dos desafortunados, seja os pés dos seres que suportam labaredas nas unhas da alma. Sinta! não volte para a casa! Só assim nos reencontraremos num novo amanhã, sem correntes, medo e fome.

Sinta! Não volte para a casa.

desafortunados
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avenida-paulista

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E fica tudo igual

Ninguém se mete
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