A noite que leva

19/04/2011 Coletivo

Com pompa e satisfação
A noite vem e anuncia:
É proxima a hora que os dêmonios chegarão.

A noite dilacera
e o câncer toma meus dedos,
os pulsos, caem os cabelos.

Já não sou eu no espelho…
Não, já não sou.
Segurando o braço da noite.

Que arrasta esse moribundo,
com as unhas de descuido
e a pele suja que essa morte me deixou.

E não tinha anjos pra salvar
E acho que nem queria ser salvo
De nada me valeria um ser sem sexo

Meio inocente pagando pecado alheio,
meio idiota levado na maré.
Será que tem culpa quem não sabe o que quer?

Ela diz que foi erro,
desespero.
Ela diz tanta coisa…

E logo ela que criticava a vaidade de outra.
Se enrolou tanto…
Que não importa mesmo o que diabos ela falou.

Fiquei triste, junto aos meus dêmonios,
por ver ela ir, com seus erros,
palavras e sua inútil vaidade.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

Comentários

4 thoughts on “A noite que leva

  1. Eu e os lobos nesse quarto, até essas tantas da noite. Um fio de luz queima nossos olhos, ninguém se importa. Nossa pele pútrida cai aos poucos, nossa boca soletra os mesmos erros e nossos corpos vão pra longe, cada vez mais distantes.

    Cada ser entoa suas lamúrias, seus grunhidos, se esfrega em outros corpos achando que é salvação. Já nem corro, nem grito, sinto as rugas, a sujeira das putas e seu olhar aflito.

    Dóe assusta saber que estou ficando bom em conviver com isso.

  2. Com as dores e as incertezas do amanhã, que vagam a minha frente na fumaça do cigarro, que perdem importância nesse viver, tão em vão.

    Quero uma certeza que não seja sofrimento, uma certeza que possa me fazer sorrir, mas o que tenho é a certeza de um amanhã mais quente, onde um novo dia é só um tempo estéril onde espero a noite cair…

  3. Sei que essas criaturas rasteiras são breves, como as voltas do relógio que permitem a escuridão esconder nossos ossos (ou nossas atitudes vergonhosas). Que o invólucro de mim mesmo é nojento, essa capa de pus e ódio, só não sei onde moram as esperanças de um amor alegre, de um amor vivo.

    Passo as manhãs junto com as sentinelas e as noites com esses meio seres que meio sentem, meio falam e quase nunca vivem.

    Já tentei sair, ir pra longe, mas as vozes nunca se calam, nos dão esse líquido amarelado pra beber e ainda suspeito que é isso que deixa essas batidas no peito a todo instante. Se eu calo o coração salta a boca e fico asfixiado, se grito sou só mais um desesperado aflito.

    Tomo dois goles, fecho ps olhos. Quem sabe eu sonhe com a cidade dos corações puros, das colunas vistosas, das moças sorridentes, onde mora esse meu amor maluco.

  4. Deve morar no andar dançante das pudicas que se afastam, enquanto sou apenas o bêbado idiota da mesa ao lado. Deve correr macio, de mim ou pra mim, num lugar tão distante que jamais alcançarei.

    Será que me procura? Deve procurar, embora, assim como eu não saiba o rosto do que procura. Vai me encontrar? Gostaria de ter respostas…

    Mas tenho só o copo, agora 2 goles mais vazio, um amigo magrelo e essa vontade de rir de tudo, como se fosse fácil ser feliz…

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: