Coletivo Dois Um – Cafajeste com Sorriso no Rosto

30/09/2013 Coletivo

Ele sorri mentindo com os dentes
Dentes alvos para uma alma negra

A chupa querendo sugar o seu ventre
A engana no gozo e no riso com soberba

Ela, pobre dela, se rende a cada noite

Percebe, mas não foge, não pode mais

Ele desvia o olhar de suas lágrimas
Enquanto mira no celular outra mensagem

Esquece dos mil códigos escondidos nas nossas unhas
Se derrete na música anos 90 que desliza no rádio

Ele, um pobre, refém do seu quadril,
prisioneiro de quase mentiras que insiste em acreditar
Assombrado pelos seus vultos, na sua mente, sempre nus.

Meliante, preso em flagrante, ela não sabe, podre dela.

Alma negra que não segura as lágrimas,
ele se limita a fuçar o celular, assombrado pelos seus fantasmas

Seus sulcos, vincos, vulva, sal, prazer,
é um condenado e ela não sabe.
Suas sombras deslizam na pequena tela,

Uma projeção pornográfica da sua mente.

Foi destinado a amar totalmente em uma noite
enquanto está ao lado dela e da sua nudez.

Esqueceu de compromisso do senso comum
precisa de corpos que o alimentem do néctar.

Ele é um condenado a buscar sem encontrar
de estar cheio de si e vazio de qualquer um.

De conversar sobre Shakespeare e nada saber
descrever sentimentos e nada conter em si.

Ela veste o vestido e segue pensando nos momentos
imaginando que ainda mudará a opinião dele
que a dispensa sempre que recebe algo no celular.

A esperança ainda é a última que morre?
Para ela é, mas a chance é inexistente.

Não se salva um condenado pelo destino de luxúria.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: