Coletivo Um Um – Cólera das noites

06/10/2011 Coletivo

Eu e os lobos nesse quarto, até essas tantas da noite. Um fio de luz queima nossos olhos, ninguém se importa. Nossa pele pútrida cai aos poucos, nossa boca soletra os mesmos erros e nossos corpos vão pra longe, cada vez mais distantes.

Cada ser entoa suas lamúrias, seus grunhidos, se esfrega em outros corpos achando que é salvação. Já nem corro, nem grito, sinto as rugas, a sujeira das putas e seu olhar aflito.

Dói e assusta saber que estou ficando bom em conviver com isso.

Com essas dores e as incertezas do amanhã, que vagam pela minha frente na fumaça do cigarro, que perdem importância nesse viver, tão em vão.

Quero uma certeza que não seja sofrimento, uma certeza que possa me fazer sorrir, mas o que tenho é a certeza de um amanhã mais quente, onde um novo dia é só um tempo estéril onde espero a noite cair…

Sei que essas criaturas rasteiras são breves, como as voltas do relógio que permitem na escuridão esconder nossos ossos (ou nossas atitudes vergonhosas).Que o invólucro de mim mesmo é nojento, essa capa de pus e ódio, só não sei onde moram as esperanças de um amor alegre, de um amor vivo.[quote_right] Já nem corro, nem grito, sinto as rugas, a sujeira das putas e seu olhar aflito.[/quote_right]

Passo as manhãs junto com as sentinelas e as noites com esses meio seres que meio sentem, meio falam e quase nunca vivem.

Já tentei sair, ir pra longe, mas as vozes nunca se calam, nos dão esse líquido amarelado pra beber e ainda suspeito que é isso que deixa essas batidas no peito a todo instante. Se eu calo o coração salta a boca e fico asfixiado, se grito sou só mais um desesperado aflito.

Tomo dois goles, fecho os olhos. Quem sabe eu sonhe com a cidade dos corações puros, das colunas vistosas, das moças sorridentes, onde mora esse meu amor maluco.

Que deve morar no andar dançante das pudicas que se afastam, enquanto sou apenas o bêbado idiota da mesa ao lado. Deve correr macio, de mim ou pra mim, num lugar tão distante que jamais alcançarei.

Será que me procura? Deve procurar, embora, assim como eu, não saiba o rosto do que procura.

Vai me encontrar? Gostaria de ter respostas…

Mas tenho só o copo, agora 2 goles mais vazio, um amigo magrelo e essa vontade de rir de tudo, como se fosse fácil ser feliz…

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: