Sem volta

11/04/2013 Coletivo

Sigo os caminhos dos bêbados que tropeçam
Cambaleiam entre carros, gente e vida
Me perco e me acho nas noites que terminam
Procuro entrar numa via que é sem saída

Não tenho medo da escuridão da noite
Me assusta sim o rosto pálido do dia
Sou semi-vivo, uma mentira que sorria
Rezando de joelhos sem sentir o açoite

Perco minha alma nos goles e no beijo
Minha carne queima ao seu toque sublime
Fujo assustado do seu corpo rijo
Caçando uma palavra que me redime…

E me perco entre os améns e as aleluias
Sonho com a salvação e o prazer
Parto o pão e o coração na ceia
Rezo baixo, por não saber o que dizer.

A saia dos padres, a febre das feiras
delírios perversos assombram minha carne.
Soluço um erro, rezo baixo.
Ainda não sei o que dizer.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: