Garoando

11/07/2012 Gritos do Nada

O sol não vence a força da nuvem
A luminosidade parca confunde…

As pessoas fecham as blusas, apertam o passo
O sol perdeu por hoje, derrama-se a nuvem
E a garoa molha os vidros dos carros

O asfalto brilha, molhado, com as luzes dos postes
Ainda é cedo, o relógio digital na praça marca 17:00
Mas o céu escuro acende as amarelas luzes das ruas

Casacos se fecham, olhos se fecham também, garoa e vento.
As cabeças descobertas se curvam ante o frio…
Não é dia de estar na rua, nunca é dia de estar sozinho

Os ônibus partem lotados, as janelas embaçadas
Os carros parados, as motos de pilotos encapotados
Passam com cuidado por entre os carros, a pressa é eterna

Quase ninguém vê a beleza das luzes refletidas nas ruas
O barulho hipnótico dos pneus sobre o asfalto molhado
Assim como ninguém vê as sombras nos sorrisos forçados

Pois mesmo nos dias de frio, poucos têm o calor de um abraço.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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