Guerra Fria na Sala

22/12/2014 Gritos do Nada

Cansei dos lados,
dos lados certos e dos errados
Cansei dos silêncios,
prefiro os gritos e os dedos apontados

Cuspa suas imprecações no meu rosto
[Como as napalm em território vietnamita]
Mas não me vire o rosto e vá embora
[Como os tanques soviéticos das montanhas talibans]

Digo o que logo me arrependo
[Como Kruschev e as bombas de Cuba]
Mas não por não querer dizer

Pois não espero mais as desculpas
São elas fantasias, por assim dizer
Elas veem pelo que causou ao outro
Não simplesmente por se arrepender

Mas no mais alto dos gritos,
No mais ameaçador dos dedos na cara
Nos calamos e viramos e saímos
Dura horas nossa guerra fria na sala

[Em luta CIA e KGB, sem se olhar
Prescutando cada passo e cada respiração
Fazendo dos gatos da casa aliados (SPY VS SPY)
Jogo duplo de quem não quer pedir perdão]

Mas fito seus olhos e eles estão lá
Adoráveis e irritantes, dualmente
Seu rosto ainda me diz o que sempre disse
E mesmo AGORA não queria estar num lugar diferente

Não me perdoe, não preciso
Preciso do seu toque a me embalar
Não me perdoe, eu insisto
Diga que me ama e que nunca vai mudar.

[Declaro a Glasnost! Me rendo à perestroika!
Derrubemos juntos nosso muro de Berlin

De que me vale ser Thatcher sisuda e cheia de razão.
Se é melhor ser errado, bêbado e feliz como Yeltsin]

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: