Nadja de Breton

18/06/2017 Gritos do Nada

Inocência desinibida
De quem vive a vida

De desenhar cada passo
De rir de cada descompasso

Das ruas estreitas e boulevares
Dos amores desfeitos aos pares

É nos hotéis velhos que dorme
Ou apenas exista nos conformes

Que de dia se dispa da normalidade
E vive seu dia, nas ruas, em frugalidade

Nadja dança e canta
Música que não conheço
Nadja me assusta e encanta
E preso a ela permaneço

Todas as cervejas bebi
Em todos os cafés morri

Andei as ruas e os bares
Senti da noite todos os ares

Vi seus desenhos sem sentido
E declamei elogio medito

Ouvi de ti os amores e ilusões
E não fui das melhores opções

Nadja dança e canta
Música que não conheço
Nadja me assusta e encanta
E preso a ela permaneço

Ela me fez perguntas que nunca fiz
Teve respostas que nunca se diz

Fez desenhos que me retrataram
Mas quem sou entre seus desenhos?

Disse frases que nunca esqueci
E fez coisas que não permiti

Terá sido Nadja pura ilusão?
Terá sido Nadja puta então?

Nadja dança e canta
Música que não conheço
Nadja me assusta e encanta
E preso a ela permaneço

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: