Perdido

18/11/2013 Gritos do Nada

Perdeu o sonho ao acordar assustado pra vida
Viu ficar sem saída seu esquecido impeto da infância

Deixou morrer sedenta e calada sua esperança
E em coma ficaram suas velhas lembranças

E atrás de cada não, de cada agonia de fim de dia
Por baixo do sorriso mole que se faz com cerveja

Escondido em cada satisfação mesquinha do salário
A cada vez que lança sobre uma bunda um olhar salafrário

Toda vez que comemora uma rua sem trânsito
Em cada dia que consegue enrolar no trabalho

Ficam lá seus desejos entorpecidos pelo dia a dia
Das vitórias sem honra dessa vidinha mesquinha

Mas ele sabe…

Chora baixinho pela vida perdida atrás de camisas e sapatos
Mas ai enfia o pé-na-jaca, atola até o joelho e finge que é feliz

Enche o copo, o peito, a cabeça… e no final fica vazio
Como o copo, o peito e a cabeça no final do longo dia…

Desce rasgando o conhaque, assim como as palavras que não diz
Engole os sonhos, com a fumaça amarga do cigarro paraguaio

Conta os dias no celular de mil megratrons, com internet e velocidade
Finge que não percebe que os aplicativos afastam fingindo unir

Só se sente em casa na penumbra do final do dia
Não acende mais as luzes pra não ver a bagunça

Acende o cigarro e tem certeza que felicidade é quimera desgraçada
Que nos engana e que a gente corre atrás sem saber onde ela está.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: