Sem direção!

28/11/2012 Gritos do Nada

Olhou pro sol e pro chão, limpou o suor e partiu!
Resolveu que iria até a calçada acabar
Assistiu a água suja descer pela sarjeta e sorriu.
Imaginou-se navegando entre as manchas de óleo…

Era tudo em vão mesmo, imaginou…
As calçadas, a água suja a correria
O trabalho, as mentiras e as verdades
Sentou-se, cansado, quando a calçada acabou

Leu a placa da rua, (Rua Alegre)…
Levantou-se pra andar até o fim dela
Passou pelos prédios classe média
E os pontos de ônibus das diaristas

Terminou a rua numa esquina desolada
Uma forte subida, e era o fim da Alegre
Pediu comida numa empresa perto dali

Tinha ainda as roupas limpas,
Mas o olhar lhe traía…
Era um homem da rua, não podia mentir

A falta de carne, um tanto mais de sol
A testa enegrecida pela fuligem dos carros
Suas histórias, quase nunca factíveis…
Era um homem da rua, e podia mentir!

Lembrou de porque começou a caminhar
Da criança, sua filha, que jazia no chão
Do ônibus, da rua, das pessoas gritando…
Ele não suportava, nunca iria suportar

Mirou outra vez o horizonte mais distante
Levantou limpando a calça muito suja
Estalou as costas, disse obrigado
Partiu!

Chorou baixinho, pelo que sempre lhe faz chorar
Sabe que por mais longe que ande
Sua memória estará sempre lá…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: