Senhora da noite

21/09/2011 Gritos do Nada

A morte tem rondado minha vida
Tem andado pelos meus caminhos
Às vezes a vejo de relance
Mas nunca enxergo seu rosto

Salgada, quente e liquida
Que escorre pelo rosto
Entra pelo canto da boca
Sinto gosto de choro

Pena que ela nunca vem só
Que não pega a tristeza e leva com ela
Vem sempre aos borbotões
E sempre vai embora sozinha

A morte não amanhece
Uma senhora da noite, da escuridão.
Que assiste a dor de quem envelhece
E acaba com a vida sem perdão

No fim o que nos resta é tão pouco
Quando ela se vai nada sobra pra contar
Sobram os amigos e um choro rouco
Que faz estranhos os dias que ele vem nos visitar

E naqueles dias estranhos, só
Quiz tanto um forte abraço
Que até aceitaria de bom grado
Os braços e o peito da morte

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: