Grita o celular a hora de levantar
E o dia a dia é sempre desgraçado
Pelos sorrisos sem significado
Que as convenções nos obrigam a dar

Me visto da minha melhor roupa
Pra ir pro mesmo lugar de sempre
E a alegria é quase sempre pouca
Mas meu sorriso facilmente mente

E lutar pra quê?
Se não tenho futuro
É tiro no escuro
Optar por querer.

E lutar pra quê?
Se nada tenho
Aqui eu venho
Só pra obedecer

Engulo seco o sapo
Raspo o taxo da vergonha
Pra levitar uso maconha
E não me venha com seu papo

Melhor ser louco
Que ser são
Num mundo torto
Mas de pés no chão

Prefiro as nuvens que chovem em mim
O céu cinza claro da minha cabeceira
A cerveja gelada que se me acalma sim
E a ilusão que não possuo eira ou beira

Desejo o mesmo beijo de ontem e semana passada
Rio da sua risada frouxa de quem pode ser feliz
E ai as horas já não significam quase nada
Porque olho pra nossa alegria e vejo que eu que fiz

E se não for isso o segredo que se persegue
Se o segredo for algo ainda mais inalcançável
Eu me permito a bela ignorância confortável
De poder levar o comigo o sol que mais ninguém percebe

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Só eu falo por mim
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Só do silêncio me arrependo
Pois as palavras que não usei
Tem quase tudo que entendo

E se você confia neles
Você os merece então
Minha raiva é contra eles
Os velhos donos da nação

Se você os quer defender
Que faça isso mesmo
Prefiro não me comprometer
E poder criticar a esmo

E cada um que não desafia
O poder de um coronel alado
E prefere, mansinho, a covardia
De xingar quem mora ao lado

É alguém que nem merece
O tempo de um insulto
Pois só de pensar me aborrece
O tanto que és inculto

Melhor perder meu tempo
Em outro livro, outra história
Me alimentar no vendo
De um futuro, enfim, de glória.

127

Domingo não é um bom dia pra conjecturar

Talvez não seja domingo o melhor dia de conjecturar
Ou talvez nunca seja

As mãos perdidas entre o fazer e o pensar
São pesadas ferramentas

A música lá fora me irrita e indigna
Seja o que for o que ouvem não é pra mim

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