Ultrapassa as telas II

23/11/2011 Gritos do Nada

“O amor perfeito não ultrapassa o longa-metragem”

Não tem barulhos de sinos e nem caminhadas ao horizonte
Chamar a atenção? Só de quem se ama e olhe lá!
A pequenez dos bilhetinhos, só é pequenez pra quem está de fora

As horas perdidas, ou ganhas, de falar nada
A chatice (será mesmo?) de ver TV em silêncio
A conversa sobre o carro, o salário, o viver
Onde o vilão pode ser a chuva ou o carro quebrado

Não tem chuvas de pétalas de rosa!
Mas tem o carinho bobo nos cabelos
Tem dar as mãos por debaixo da mesa
Nada cinematográfico, nada Hollywood!

Tem os beijos sinceros, os abraços
O “Eu te amo” cheio de verdade e prazer
Tem os olhares que trazem o sorriso ao rosto
A não perfeição, muito mais cheia de graça

No cinema tem trilha sonora correta
Não se beija ao som de “Come as You Are”
Mas se para o carro na calçada pra beijar!
E dane-se a música que está tocando

Fica o cinema então, com desencontros e partidas
Que escrevam sobre amores delirantes de mil noites
Que atores jurem amor sem esquecer do texto
Eu? Eu amo sem roteiros e sem “The End”!

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

Comentários

3 thoughts on “Ultrapassa as telas II

  1. Sem efeitos especiais ou pós-produção
    Sem argumentos, nosso roteiro é improvisado.

    Sua maquiagem borrada, nosso longa Glauber Rocha.
    As paredes desgastadas, as roupas amassadas.

    Nosso drama é Bertold Brecht com direito a Nelson Rodrigues.
    Cerveja quente e lambada.
    Sexo sem vergonha, sem photoshopada;

    Nosso curta de ódio,
    uma tarde de amor.

    Na nossa história Woody Allen não pegaria ninguém.
    E Brigitte Bardot sempre teria 22 anos.

  2. O amor perfeito tem aquele ar de conto de fadas e de filmes antigos. *.*
    Beira a ilusão. E mesmo tendo consciência de tudo isso, não tem como parar de se iludir.
    O amor tem dessas façanhas. É por isso que certas coisas não se explicam, se sentem.
    Assim é o amor! 😀

    “Eu amo sem roteiros e sem The End”

    Eu também!! o/

    Bjs 😉

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