Um vinho…

10/03/2012 Gritos do Nada

Perdeu força onde ninguém mais tentaria
Quis ser diferente… quem sabe o que ele quis?

Penou nos dias e nas noites,
Sonhou com coisas poucas e perdeu

Senta agora sobre a ausência
E conta os azulejos da parede

Perdeu algo nessa história,
Talvez o fim dos amores impossíveis

Ligou o velho som do quarto
Ouviu uma música ruim do Ira!

Xingou e ignorou seus erros
Enquanto Nasi cantava:
“Só existe uma mulher”

Lembrou que não gosta de fossa
Pegou o celular, discou
Desistiu, jogou ele sobre a cama

Pegou a jaqueta surrada e abraçou sua moto
Correu o mais rápido que pôde entre os carros
Pelas ruas molhadas de São Bernardo…

Tirou do bolso a lata de spray
Que achou perdida na garagem
Procurou o muro mais escondido

Subiu na moto e sumiu
Deixou pra trás um sentimento
Escrito com letras negras escorridas
No muro mais escondido da avenida:

Solidão, solidão
Um vinho tão bom
Que se bebe sozinho
Com sangue e com carinho
Com medo e com amor
Com vontade de chorar

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: