Eu vim do futuro

12/07/2012 Colunas - Sonhos Viciados

E se eu viesse do futuro e te dissesse que por lá é tudo igual?
As mesmas propagandas & marcas & gostos de refrigerantes.

O mesmo medo dos ladrões & do próprio silêncio & da fofoca dos vizinhos.

Se ainda houvesse talvez & nossa ingênua esperança de que amanhã vai ficar tudo bem.

Os trens continuarão rangindo com fúria & correremos réfens do relógio. Mais um the end da Disney, novos vírus de computador para os mesmos fins.

As contas ainda estariam todas se acumulando na mesa & os juros continuariam nas capas de jornais, ainda impressos. Como na nossa moda, moda antiga, moda dos meus pais, de toda antiguidade.

Ainda estaria ai? Recebendo teus pagamentos, a troco de quê?

Quem plantou em nós a ideia que tudo isso é importante? Quem tirou o brilho de nossos olhos?

Será que devemos criar um novo dêmonio pra tirar da gente a culpa de nós mesmos. Ou travestir nossa covardia em plantar bombas no peito de nossos inimigos & viver nossos verdadeiros amores.

Eu vim do futuro e por lá é tudo igual. Olhares assustados nunca se cruzam no metrô & nossos sonhos não são nossas plenas vontades.

Eu vim do futuro e por lá é tudo igual.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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