Hits paraense embalam nossa corrida rumo ao nada

16/12/2013 Sonhos Viciados

Corremos na madrugada fugindo do bar
do hits paraenses, do chapeiro e da sua faca afiada.

Corremos duas ruas fugindo do bar com a conta aberta.
Mais dois blocos, uma avenida feia e outras vielas repetidas.
Vencemos a cidade e seus medos, a favela e seus perigos.

Já não escutamos as vibrações da jukebox
e nem as tônicas das máquinas caça-níqueis.

Estamos correndo numa madrugada, já sem saber o motivo.
Talvez fugindo das leis do condominio, das praças de alimentação,
dos parques de diversão sem montanha-russa.

Estamos exaustos, mas uma curva, pequenos delitos.
Nosso corpo juvenil embebido de alcool e inconformismo.

Isso já faz alguns anos, mas é como se ainda estivéssemos correndo.
Das leis da física, dos números complexos, do chapeiro e seu bigode.
Do mundo de aparência, da falta de dinheiro e dos nossos sapatos furados.

Dois garotos, nem tão garotos, execrando modelos, nenhum talento,
pouco dinheiro, roubando cerveja.
Dois garotos ainda correm na madrugada, fugindo do bar, da aberração que somos.
Dez anos depois, dois garotos ainda correm na madrugada.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Postagens

25/01/2019 Sonhos Viciados

São Paulo habita em mim

Eu sou todo saudade,Entre a São João e avenida liberdade. Eu sou todo um corpo violado,Um bar esquecido no altar suspenso das suas coxas. Eu sou todo pixo,Pura violência nos muros da sua intimidade. Eu sou todo abandono,Adormecido na fileira mais suja do cine Arouche. Eu sou todo saudade, afogado no barril de corote do […]

Leia mais…

12/08/2018 Sonhos Viciados

O comício se acaba e só o mar é infinito

Palavras de ordem em um caminho que ninguém passa. O grito das Poesias sonhadas & nunca ditas. O comício se acaba e só o mar é infinito. A fome devasta as crianças de olhos pequenos e pés descalços. Brincamos num mundo inventado onde os pederastas nos vigiam & só o sol castiga. As mentiras postas […]

Leia mais…

12/09/2017 Sonhos Viciados
Me sinto uma versão beta construída por estudantes primários fascinados por orgias que nunca participaram.

Esse é o meu poema mais ultrapassado

07/09/2016 Sonhos Viciados

A herança de todos os miseráveis

Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala. Já disse um poeta, já disse um deputado. Você escolhe o palco da vida ou a Bancada da bala? […]

Leia mais…

25/07/2016 Sonhos Viciados

Frases de uma palavra só III – Eu sei

27/01/2016 Sonhos Viciados
Cavo um poço com as britadeiras dos meus olhos sangrentos e os estilhaços lapidam os corações de todos os seres rastejantes do vale do Anhangabaú.

Piazzas VI

Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: