Deito nas costas de um vagabundo qualquer entre a correria das pessoas apressadas.
Deito no descanso de anjos arrependidos, dos suplicantes e suicidas.

Um silêncio me toma, um silêncio come as paredes da minha alma. Posso ouvir as carícias do mar, de um mar tão distante, num daqueles que poderia me refrescar e lavar minhas mãos cheias de culpa e ódio metropolitano.

Cavo um poço com as britadeiras dos meus olhos sangrentos e os estilhaços lapidam os corações de todos os seres rastejantes do vale do Anhangabaú. Faíscas iluminam a face das crianças seminuas e começo a desaprender todos os dialetos das maldades e no fim sonho com as turbulências do meu mar infinito.

Apologia ao crime & panfletos paranoicos não trarão jaulas sem paredes, não resisto as pedras, não encaro o cachimbo, mais mil anos e ainda estaremos aflitos.

Almoço frio & suco gástrico onde reina a fome obstinada dos pombos. E eu só queria a alegria intensa da travesti ao saltar nos viadutos de molas soltas.

Já não desejo a morte dos mercadores, mas sonho com víboras em seus pratos fartos e cólicas assombrosas. Já não me importa os delitos, os contratos, o sexo atrás do lixo e as blasfêmias ao pé do ouvido.

E eu só queria a alegria intensa da travesti ao saltar nos viadutos de molas soltas.

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