Repeteco a meia noite

17/11/2011 Sonhos Viciados

Poesia breve e passageira é como uma meia foda.
Leve e ligeira.

Conto longo e confuso é uma morte.
Vestida de pastora com altos lucros.

Estar no escritório atrofia meus músculos
Uma jaula com espelhos e janelas envidraçadas

Escrever não me fará útil
Preciso de um conde breve que goste de murmúrios,
Sinto os ossos tremerem e fugirem pro resto de carne que me resta.

Sala de espera para todos os tipos de raivosos,
errei o endereço, o meio e o termo.

Rezo um terço,
dobro os joelhos.
Lamber o seu sexo não me fará inteiro.

Trejeitos de bicha,
promessas ao pé do berço.
Nasça o filho, o judas e teus medos.

Fujo do peso dos coitados
e a fome dos ambiciosos não me curvará.
Promessas e seguros de vida não vão me confortar.

Parece que vai ser eterna a busca de um cálice
que vai matar a sede desse monstro coagido.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

Comentários

3 thoughts on “Repeteco a meia noite

  1. “Escrever não me fará útil”
    Escrever… o que nos fará melhor? Por que ainda escrevemos?
    Todo vez me pergunto isso quando estou prestes a postar… e eu não sei, só sei que preciso escrever, assim como preciso usar jeans, como preciso de camisetas, como gosto de comer lasanha… queria ter um puta de um motivo nobre, o tal calice ai que não chega… mas também não tenho, só tenho vontade, e ela nunca passa…

  2. É, uma vez me perguntaram o que eu faço de melhor na vida. Na hora eu hesitei, pensei. Ainda me disseram que não precisava ser um talento absurdo. E ainda assim a pessoa saiu sem resposta.

    Mas a pergunta dela ficou por um bom tempo na minha cabeça. Hoje posso responder que é escrever. Não é um talento, algo pra se marcar na história da humanidade, mas se marcar a minha trajetória já é algo relevante. Tive que me reprogramar pra encontrar a resposta, pois muita gente é ensinada a pensar que todo mundo tem um talento e que talento é pintar sorrisos de Monalisa por ai. Daí eu desacreditei em talentos, ao menos nesse caricato que eu plantei na minha mente. Hoje é quase aversão a palavra, sempre imagino uma criança de 2 anos já pintando tetos de capelas.

    – Esse menino tem talento! Diz o pai orgulhoso vendo o corpo desengonçado do garotinho finalizar o desenho de uma mão vinda do céus acalmar um homem terrano desesperado.

    Acredito que todo mundo faz coisas viscerais, nem precisa ser bom ou melhor do que já se viu. Só é uma entrega do corpo e da alma que a mente mesmo sem perceber leva tudo na mesma direção. A gente nem nota e já tá fazendo, uma dose que acalenta o viciado, a emoção do gol, o sexo bem feito. Das vísceras mesmo, saca?

    Não precisa mudar a humanidade, ganhar milhões e ver seu nome numa placa de rua num futuro próximo, precisa dar um nó nas vísceras e gritar no fim com a mesma emoção do mais talentoso artilheiro que toda a humanidade já viu. Pois se pudesse escolher uma frase bem cafona pra isso tudo seria dizer que no fim todo mundo é igual.

    Do pó ao pó. Só me responda antes de ir, o que você faz na vida que é vísceral?

  3. Visceral… Eu tenho uma ânsia por colocar as palavras em evidência, no fim nem sempre me agrada, mas sempre me esclarece… Os sentimentos por vezes flutuando num plano acima de mim fica sem nitidez, mas escrevendo, mesmo que ninguém entenda, eu posso me entender… Meio clichê, já que estou no meio de bons escritores, mas é isso…

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Piazzas VI

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