Faz tempo que não tenho o Canal Brasil em casa e confesso que esse canal valia todos os canais da TV a cabo. Longe das tristezas de homem médio e mais próximo do livro que vou abordar eu cai no programa Sangue Latino, um programa de entrevistas muito autêntico. Hoje passa na TV Cultura então é uma boa chance para ver o programa e saber mais do que eu estou falando.

Tudo isso foi para contar como conheci Mempo Giardinelli, como vocês notaram, foi em um dos episódios desse programa. Argentino, exilado no México quando o chicote estralou lá em suas terras.

Dêem uma olhada no teaser desse episódio.

Foi nessa atmosfera que me vi embuido da missão de encontrar algum de seus livros. Na verdade um trecho que tinha me arrematado. [quote_left]Pero no. Ahora acaban de sonar unos golpes a la puerta y estoy completamente desconcertado. Ha passado mucho tiempo y ya no sé si puedo reconocer el exato “toc-toc” de Martita… No creo que sea ella […] Pero com Martita nunca se sabe y es obvio que yo no sé matar fantasmas.[/quote_left]

O trecho ao lado é do livro 9 historias de amor, também presente no teaser e ficou aglutinado em mim. São nove contos, das mais variadas situações em que o amor se manifesta em nossas vidas.

Longe de ser 9 versões diferentes de Romeu e Julieta ou de relatos apaixonados com finais previsíveis o livro segura bem. Apesar do meu espanhol mais deficiente que funcional o livro é uma boa pedida, a língua não é uma barreira, fácil de entender e com certeza o auge do livro é o conto do trecho que mencionei. Martita on my mind.

O relato é uma fabula quase possível. Tão possível que parece que já vivi e já amei muita Martita, por ai.

9 historias de amor é um livro fácil e rápido, muito próximo de quem lê. Não é um barbado pensador alemão falando de coisas que você nunca viu na vida. Amor, simples assim, como tudo mundo já sentiu.

4 Responses to “9 historias de amor – Mempo Giardinelli”

  1. Beto Souza

    Ficou foda! Mais que vontade de ler, deu pra compreender a pegada do livro e isso é importante pra gente saber se pode gostar do livro.

    Quando vai emprestar? rs
    Sinto que a próxima resenha precisa ser minha né? rs

    Responder
    • Thiago Hernandez

      HEHE! Vá lá Betão! Passei a bucha! hahaha! Muito boa entrevista dele nesse programa. Nesse vídeo mesmo do youtube ele fala dessa coisa de ser escritor e viaja numa história de sonhos… muito 10.

      Responder
  2. Dana

    Eu estava querendo ler algo em espanhol e não fazia ideia do que podia ser, acho que esse é um bom começo. Adoro quando encontro o que eu quero sem querer assim.

    Responder

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Ultraje a rigor – Nós vamos invadir a sua praia – Andréa Ascenção


Uma, duas páginas e já deu vontade de pegar um ônibus e cair na estrada. Se ser jogador de futebol não era teu sonho, talvez botar o pé na estada sim. Aterrorizar hotéis e estar em duas cidades num mesmo dia. Ia ser uma boa.

Na terceira página você quase liga pros amigos e pensa numa reunião, quem sabe, não sei. Talvez dê certo, “porque rock é isso ai três acordes e vamo embora”. Inspirador, não?
[quote_right]”Algumas músicas, segundo Maurício, nascem com o refrão, às vezes letras, às vezes cerveja…”[/quote_right]
Talvez se fossêmos menos inúteis e isso cara, é complexo. No fim quis mesmo é estar na estrada com os ultrajes. Dividir todas as piadas, os programas de domingo. Show na paulista de improviso ou milhares num Rock in Rio.

A história de uma das maiores bandas do rock nacional, goste ou não, só pelo fato de atravessar décadas já é invejável.

“O Brasil é radical, é tudo ou nada. Tava falando com um amigo meu que é executivo e ele falou: o Brasil não tem classe média. […] O Brasil não tem um lugar que você possa tocar e dê alguma grana. Você faz um show para milhares de pessoas, ou tem que tocar você e um violão num barzinho”

Isso aqui abre uma discussão e o livro ata outros diversos nós. Inicia no tom cartilha. Quem não sabe nada de rock já vai ter algum panorama e quem já tem, segue numa boa sem cansaço. O encadernado segue focado nas situações e no melhor da festa. O lado que pouca gente conhece. As lutas pra divulgar o trabalho, ficar na gravadora e ceder aos interesses ou desinteresses.

Leitura certeira e descontraída, se achar um massacre ver toda a história musical de cada integrante que entra sai, fique firme, logo uma nova situação vai te surpreender.

No fim vai as letras pra cantar junto, mas duvido do ser que não sabe cantarolar ao menos algum trechinho.

Acho que é isso, temos ainda muitas praias pra invadir, muita gente pra ter ciúme, muitas farras com marylou , nu com a mão no bolso.

E nosso pais não precisa de inimigos nomeados pra gente se rebelar, afinal, ainda escrevemos e não publicamos, fazemos música e nada, ainda tem gringo achando que somos indigente. Como é? morar nesse pais é como ter a mãe na zona, você sabe que ela não presta, mas adora essa gatona.

Pois é, muita praia pra invadir e fico feliz por ter em mãos um documentos desses.

Livrão. Corajoso. Mais bandas mereciam um relato desses. Nota 8.

50

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Gosto dos livros por causa de cada história que eles carregam, essa frase parece óbvia demais não? Quase isso. Muito além das palavras impressas em cada encardenado temos um apego, uma dedicatória, um amor, um amigo. Cada livro vira um registro do espaço tempo das nossas vidas. Como músicas de infância, as trilhas sonoras dos nossos romances. Só folhear cada um na estante que acende as memórias.

Vou começar com a história do livro, a do autor mesmo. A história relata o romance de Cauby e Lavínia, ele um fotógrafo viajado que pousa no Pará, um Pará que enfrenta conflitos entre empresas e mineradores sedentos por ouro. E ela uma linda moça de humor instável e casada. O terceiro membro da trama é Ernani, o marido de Lavínia, um líder religioso da região, um pastor influente que vai arrematar a história de Cauby.

O livro é dividido em partes que ajudam a entender a instabilidade de Lavínia, o olhar de Cauby, a presença de Ernani. Além do triângulo amoroso outros personagens são igualmente interessantes, Chang, um careca, uma dona Jane, Viktor Laurance. A primeira parte do livro inicia com a explosão do romance de Lavínia e Cauby, o ponto auge do livro.

Nota 10. A primeira parte introuz Cauby e fortalece a primeira parte do livro, “o amor é sexualmente transmissível”, essa parte faz você querer chegar logo ao fim. Só no meio ele perde um pouco o ritmo, daí você se dá conta que é uma ficção, pois até então tá mais para novela da vida real.

Agora volto pra minha história. A que vai ficar quando eu olhar pra estante. Praia. Gosto de férias, aquele momento de que amantes atingem um alto nível de cumplicidade e um cara que não gosta de livros.

Irônico, não? Pois é. Ganhei esse livro de um amigo secreto da empresa, ele solta um:

– Legal o livro, mas eu mesmo não gosto de ler.

Em dois segundos eu fico em choque, no outro segundo eu penso em como fazê-lo a gostar de livros. Desisto de todas as anteriores. Tá certo seu Monteiro já alertava que uma sociedade decente se faz com livros e muito visconde de sabugosa, mas vá lá. Ele só não gosta de ler, vai que ele troca as horas de leitura e vai aproveitar a vida. Que? Ler também é aproveitar vida? Talvez pra ele não.

Fiquei dias pensando nisso, porque eu leio? Não sei ainda.

O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram.

Cauby discorre sobre amor citando um livro que ele lia e relia na época da explosão do seu romance com Lavinia. O que vemos no mundo, um tratado sobre o amor de B. Schianberg.

“Minha vida não estaria completa. Porque nenhuma vida está completa sem um grande desastre, como afirma Schianberg. Um sábio. Pervertido, mas sábio”

Seu amigo, Viktor Laurence é apaixonado por livros e cita situações e personagens da ficção como se fossem reais meio a conversas cotidianas.

Daqui uns anos vou abrir de novo o livro e sentir cheiro de areia, o vento da balsa, um amor num quarto com vista pro mar. Vou lembrar do Inácio, do cachorro marujo, da Sandrinha “malhação”.

A minha trilha sonora quando não se pode fazer barulho. E você, porque gosta de ler?

Obs. O livro que Cauby lê é ficção e serviu de guia para um um filme interessantíssimo. O amor segundo B. Schianberg.

Obs 02. Esse livro virou filme, não vi ainda, mas já estou atrás pra ver. Quem gosta da Camila Pitanga, fique atento, ela dá vida a Lavinia, moça de dupla personalidade que gosta de baixaria, ao menos uma de suas personalidades que Cauby nomeou como Shirley

Livrão. Nota 9!

122

Natimorto – Lourenço Mutarelli

Conheci o Mutarelli pra valer quando ganhei o Jesus Kid, outro livro do cara, só sabia até então que ele tinha escrito o romance Cheiro do Ralo e atuava no filme. Mas Jesus Kid merece uma resenha só pra ele.

O natimorto foi outro presente. Esse, não reserva tanto humor como Jesus Kid, mas é tão rígido quanto. Em natimorto um agente encontra uma cantora que sua voz de tão sublime não é audível por qualquer pessoa. Segundo o agente é preciso uma certa elevação de espírito para poder ouvir a unicidade do talento da moça, não bastando a maluquice o tal agente relaciona os arcanjos do tarot com as mensagens que vem atrás do cigarro. Isso mesmo, aquelas que dizem que de tanto fumar o pinto cai.

A trama é desenvolvida ai, entre as mensagens do cigarro e os dois personagens, o livro tem linguagem simples e o modo como foi escrito deixa a leitura bem fluída. O formato favorece a história ser adaptada no teatro e no cinema e foi. Começou com uma peça e depois foi a vez do filme. A peça eu não tive oportunidade de ver, mas o filme sim. O próprio Mutarelli atua e é o personagem central da trama, no livro o Agente, no filme ele tem nome, mas quem fala sobre filme aqui tá de ferias, diz ai Eudão. Então não vou deixar pra uma próxima, quem não viu vale ver. Só pra se situar melhor sobre a história e o filme segura ai o trailer.

Vale ver o filme, e vale ter o livro na estante. O livro é um cuidado só, do uso do papel, da capa e das tímidas ilustrações em algumas páginas do livro. Nota 10 para companhia das letras com esse projeto editorial. O preço é salgado pra um livro, mas a qualidade dele se justifica.

Nota 8 pro livro do Muta.

O Natimorto – Um musical silencioso
Autor – Lourenço Mutarelli
Editora – companhia das letras

100

É um bar gay

É um bar gay. Não importa o quanto eu afirme que sou hetero. Bichas, bichinhas, ursos, rudes, travestis, mulecotes, entendidos ou perdidos. É um bar gay que vende cerveja barata na augusta. E eu só não me importo. Tem até umas moças por perto, amigas dos gays. Elas se sentem em casa, no pior dos casos estão entre amigas.

O bar tem espelhos, igual aos puteiros dessa mesma rua e dá um clima bem decadente pra coisa. Refletem a cara suja, sacana, bicha ou qualquer falta de vergonha que você se permitir. Nisso eles se diferenciam das casas de diversão masculina.

Uma, duas garrafas. Se paga antes. Medida de controle por tanta gente que se passa no bar. Grite, fale alto, arrisque uma vodca, tudo bem. No fim se esta entre amigas. Na verdade o único sexo que me importa é o que eu vou ter no fim da noite, e o resto eu deixo você imaginar com todo pudor ou baixaria que você se permitir.

E as moças estão lá com os caras nem tão caras assim. Seguras e longe dos garotões que possam quebrar seu braço pois se negaram a ficar com elas. Voam firme na vodca ou copos que eu desconheço a origem e procedência. Peço mais umas ou duas cervejas, não requebro na pista e nem no embalo das luzes enfurecidas que atacam os espelhos, elas riem.

O dia já nasceu, um domingo ou um sábado que ainda não acabou. Acho que é isso, uma extensão da noitada. Vou pra rua e me dou conta que é o único bar que restou aberto, ao menos nesse clima baixaria. Dai me dei conta porque parei aqui.

Converso com a Ariane e com o Rodolfo. Ela tem uns 30 e poucos e meu amigo já laçou seu coração. É, as mocas estão prontas, como os caras. Ele deu sorte. E eu sinto que daqui a pouco é tempo da macarrônada da mama e ainda não fiz a minha vez. Nem sempre se acerta, o lugar errado na hora errada me abraçou num fim de noite infeliz. Pego meu ultimo cigarro e vejo a movimentação ás 9 da amanhã. Ainda to chapado, sem café da manhã. Vou pro outro lado da rua, vejo mais um pouco quem entra e quem sai. E vou me embora. Se a vida for uma roda eu fico feliz, porque nessa noite quem estava no topo era meu amigo e eu fugi do porão com espelhos, que rebatiam vergonhas e euforias.

Nota 5 pro bar de garotões. Cerveja barata, moças modernas, mas basta saber que existam lugares assim. Espero minha falta de sorte não impactar na nota do bar.

O bar não tem nome, mas é mais um desses perdidos na Augusta! Fácil de achar pela primeira vez, impossível de estar lá na segunda vez…

Thiagão foi e deu 5 corvinhos!


94

Millennium – Mais que um bar de Faculdade ou A Deusa da Mesa ao Lado

Ele costuma terminar as aulas no Millennium, um bar que fica em frente a UniABC, é um desses bares de faculdade, que servem lanches e tem cerveja a preço justo.

É maior que a maioria, e como ele tem amigos que fumam, eles costumam ficar do lado de fora, onde tem uma pracinha legal com mesas e os caras podem encher o pulmão de enxofre sem problemas.[quote_right]O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.[/quote_right]

Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.

Lá normalmente terminam as discussões que começaram na aula, ou mudam de assunto totalmente e falam de futebol, das mulheres do bar, de carro ou moto, enfim, lá eles esticam, em algumas dezenas de minutos, as deliciosas conversas que gostamos de ter com os colegas da facul.

Nessa sexta estava garoando e por isso, sobre protesto dos amigos fumantes, eles foram pras mesas que ficam dentro do bar. Que estava lotado nesse dia.

Sentaram numa mesa perto de uma das portas de vidro, que estava fechada, mas permitia a visão da rua, a esta hora cheia da galera correndo pra pegar as vans que levam eles pra casa. Vida dura de estudante.

Hoje a ideia eram poucos minutos, e o Paulinho pegou só uma breja dessa vez, o Rodrigo começou a conversa sobre a aula, e o monólogo, como sempre, lhe parecia que ia longe…

Ele gosta de ouvir o Rodrigo falar e fazer comentários jocosos pro Paulinho rir, mas ele, de verdade, gosta do que ele fala…

Os três copos estão cheios e eles brindam! Ele solta o seu brinde mais famoso: “Um brinde a juventude, pois da velhice só levaremos a morte!” e ouve-se o bater surdo dos copos. [quote_right]Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.[/quote_right]

Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.

Olhou pro Paulinho e o seu queixo caído e os olhos em brasas não deixaram dúvida: Ele também viu…

Haviam outras pessoas na tal mesa, mas totalmente ofuscados por ela, que ria alto, falava alto, gesticulava, bebia goles enormes de cerveja e, não bastasse tudo isso, era a coisa mais linda que eles já viram sentada por lá.

O Rodrigo falava agora sobre algum defeito na moto ou uma conversa sobre o pai dele. Como havia agora um bom motivo pra ficar, embora o monólogo fosse sempre um bom divertimento, ele pediu e o Paulinho pegou outra breja e um pacote de salgadinho…

O olhar dela e o seu acabaram se cruzando, uma, duas vezes, mas na sua cabeça foram milhares de vezes, ele viu que a mesa dela estava cheia de porções, batata frita, e provolone a milanesa, aliás, ele lembra que as porções lá, embora demorem um pouco pra chegar, são ótimas.

Ele levanta e vai no balcão, pede um pastel pra ele e mais um pacote de salgados pros caras, e o Rodrigo agora fala do seu antigo trampo, na volta ele passa bem perto dela e ela lhe sorri com os olhos… ele fica vermelho e senta logo.[quote_left]Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.[/quote_left]

Ele prestou atenção pela última vez no Rodrigo, que agora falava da aula de sociologia, quando voltou o olhar pra a mesa ao lado não a viu mais lá, imaginou que tivesse ido ao banheiro, deixou o monólogo do Rodrigo só com o Paulinho de espectador e correu a porta do banheiro, esperou e esperou até desistir e voltar pra mesa, quando se virou pra mesa viu, atravez da porta de vidro, ela na calçada abrindo a porta do carro, ainda teve tempo de lançar-lhe um último olhar balançando o cabelo…

Retornou a mesa, desolado, Rodrigo discursava sobre escola e disciplina, pensou em pedir outra Brahma, mas viu que a banda de pagode já tava pronta, porque no Millennium de sexta tem pagode e depois das 11 e meia a cerveja fica mais cara também, interrompeu Rodrigo e sua história sobre armas em casa e preferiu ir embora antes que ouvisse algum pagode e este ficasse em sua mente…

O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.

O Corvo adora tomar umas por lá, acha o lugar limpo, legal e divertido, com breja a preço justo e lanches/porções deliciosas e por isso o Millennium recebe 9 corvinhos!

Millennium Beer
Avenida Industrial, 3045 (em frente a UniABC)
Santo André

E leva 9 corvinhos!

103

O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio – Charles Bukowski

Já tinha lido outros do bukowski, iniciei pelos poemas. E esse é dos bons, se acha em banca de jornal, não é tão caro e se lê rapidinho. O último dos beats, o escritor dos mordenetes. Escolha seu rótulo, mas tudo isso você pode ler em qualquer lugar.

Comecei a ler Bukowski porque ele é baixo e no geral é bem aceito. Daí me senti mais em casa, uma espécie de Ramones para quem quer ter uma banda, ou seja, é possível. No fim sempre acho que é possível soltar uma baixaria e ser sempre cabível a colocação. Ignorem a pobreza do meu trocadilho de duplo sentido. Mas é isso, o cenário é sempre o mesmo, bebedeiras, pernas, decotes, repudio às pessoas, corrida de cavalos, pernas, mulheres e corrida de cavalos. Alterne entre as virgulas, porres de vinho, porres de uísque, porres de cerveja. Sério, quase todos os livros que li dele sao variações disso. E porque ler Bukowski? Porque não leio só um e fico com 30 outros de brinde? Porque em cada página reserva uma boa piada, uma verdade que você não teve coragem ou jeito de dizer.

Confesso, teve livros dele que não gostei, mas esse eu gostei. Conheci o ilustrador Robert Crumb nele, que faz uns desenhos baixaria com muita personalidade. Casamento perfeito. Crumb, diferente do Bukowski ainda está vivo e até Veio na flip do ano passado. O livro é como um diário que Bukowski escreveu quando tava veiaco, passa o livro todo reclamando. E podem crer que é bom. O livro é cheio de máximas e isso se comprova pelos títulos do bukowski que são muito bons. Esse mesmo é sensacional. O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio, Crônica de um amor louco, Fabulário Geral do Delírio cotidiano, Notas de um velho safado. Genial.

Desculpe o venerado Machado de Assis mas Bukowski é muito mais relevante na minha estante ou mesmo influência quando escrevo. Mesmo só falando de porres, pernas, corridas de cavalo e algumas variações disso.

Esse ai leva nota 8, Bukowski puro e concentrado.

O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio
Charles Bukowski

85

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