Isso é uma resenha de uma bar. Famoso por funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ao menos nos parece. Já rolou de ir terça-feira ás 2 da manhã e lá estava ele. Como se fosse uma segunda, ou terça ao meio-dia. Como se fosse um sábado na melhor hora do dia, na verdade nem importa, nos parece que ao entrar no bar é como se fossemos levados para uma mesma data, com a mesma hora, com os mesmos garçons e atendentes.

E acreditem, isso é assustador. Os figuras que lá passam fazem rodízio. Sempre tem um diferente e isso é mais assustador ainda. Mas vamos voltar ao bar, na verdade parece uma padaria que serve almoço durante o dia e aguarda o cair do dia para deixar gritar a Jukebox.

Suas cadeiras escondem marcas de gente que falta banho e de todos os tipos de frustrados. Se for bem esperto ou não tiver contaminado por álcool verá máquinas de bingo escondidas numa entradinha marota logo no caminho do banheiro. Alías, a máxima nesse lugar é sempre fique atento.

O caminho do banheiro é guiado por uma escadaria que qualquer um apostaria que nem baratas ficam lá de bobeira. Ao final do marasmo sombrio dos degraus dá para encarar uma porta que dá acesso ao salão das máquinas, uma outra do banheiro feminino e uma abertura logo a esquerda que dá acesso ao banheiro masculino. Isso mesmo, é uma sala que botaram uma pia grande e aqueles mictórios de lata que preenchem a parede toda. O que me faz lembrar de uma teoria que toda mulher devia sentir essa experiência na vida, mijar nesses mictórios. O barulho do jato batendo na lata, ou quando estiver bem chapado e mirar na bolinhas de naftalina. Não basta só saber como é mijar em pé, tem que se equilibrar na cachaça, abrir o ziper e aproveitar esse prazer. Acho que era isso que Duchamp quis expressar com sua fonte.
Todos os tipos de estranhos andam por lá. Putas decadentes, toda espécie de alcoólatras, viciados em bingo, mendigos e dançarinos da madrugada. Claro, as mesas são companhia pra gente dançar. O som toca alto algum tecnobrega da atualidade que eu sempre desconheço. Enfim todo canto se transforma num reduto barulhento, mais dois reais e tem direito a escolher o novo hit da noite. Senhoras seduzem e se amontoam aos caquéticos que se debruçam no balcão. Os seres esquecidos da favela ao lado revezam copos de cerveja com embrulhos bem escondidos no casaco. Falo no plural, pois nesse reduto quebrado eu e vários já passaram, numa espécie de ritual da perdição no qual vencer garrafas de cerveja é o primeiro passo para salvação.

Os mesmo senhores que fazem a pizza de sabor duvidoso preparam seu drinque de Dreher e qualquer coisa que tiver. O asco do ar e os malucos perdidos que lá encontram são tachados na entrada, impressos em posteres e grudados na parede com babá e gema de ovo podre. Lambe-lambe com cheiro ruim. Moças sedentas por grana e caras renegados dão de cara todas as noites, num bar de diversão barata, cruel e verdadeiro.

Parece que todos se identificam com o lugar. Prevalece consentimento que algo de muito errado existe. E por sermos tão errados, nos encontramos lá todas as noites.

– Esse é o adorável bar das putas, relatado por nós em outros versos e onde temos uma coleção de histórias. Me dei conta que preciso de mais algumas madrugadas para descrever tudo que já foi visto por lá. Por hora veja dois poemas falando sobre a mesma coisa, partindo de dois pontos de vista distintos(ou nem tanto…)

[ Leitura obrigatória 1 ] – Robertão que escolhe ao alento músicas paraenses na Jukebox viciada.
[ Leitura obrigatória 2 ] – Thiagão que sempre enche os bolsos com moedas de 25 e vai ver as máquininhas brilharem.

Não somos bem vindos nesse bar, então nada de propaganda gratuita, mas de tão errado esse bar leva nota 8.

One Response to “O palco de moças e sujeitos detestáveis”

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É um bar gay

É um bar gay. Não importa o quanto eu afirme que sou hetero. Bichas, bichinhas, ursos, rudes, travestis, mulecotes, entendidos ou perdidos. É um bar gay que vende cerveja barata na augusta. E eu só não me importo. Tem até umas moças por perto, amigas dos gays. Elas se sentem em casa, no pior dos casos estão entre amigas.

O bar tem espelhos, igual aos puteiros dessa mesma rua e dá um clima bem decadente pra coisa. Refletem a cara suja, sacana, bicha ou qualquer falta de vergonha que você se permitir. Nisso eles se diferenciam das casas de diversão masculina.

Uma, duas garrafas. Se paga antes. Medida de controle por tanta gente que se passa no bar. Grite, fale alto, arrisque uma vodca, tudo bem. No fim se esta entre amigas. Na verdade o único sexo que me importa é o que eu vou ter no fim da noite, e o resto eu deixo você imaginar com todo pudor ou baixaria que você se permitir.

E as moças estão lá com os caras nem tão caras assim. Seguras e longe dos garotões que possam quebrar seu braço pois se negaram a ficar com elas. Voam firme na vodca ou copos que eu desconheço a origem e procedência. Peço mais umas ou duas cervejas, não requebro na pista e nem no embalo das luzes enfurecidas que atacam os espelhos, elas riem.

O dia já nasceu, um domingo ou um sábado que ainda não acabou. Acho que é isso, uma extensão da noitada. Vou pra rua e me dou conta que é o único bar que restou aberto, ao menos nesse clima baixaria. Dai me dei conta porque parei aqui.

Converso com a Ariane e com o Rodolfo. Ela tem uns 30 e poucos e meu amigo já laçou seu coração. É, as mocas estão prontas, como os caras. Ele deu sorte. E eu sinto que daqui a pouco é tempo da macarrônada da mama e ainda não fiz a minha vez. Nem sempre se acerta, o lugar errado na hora errada me abraçou num fim de noite infeliz. Pego meu ultimo cigarro e vejo a movimentação ás 9 da amanhã. Ainda to chapado, sem café da manhã. Vou pro outro lado da rua, vejo mais um pouco quem entra e quem sai. E vou me embora. Se a vida for uma roda eu fico feliz, porque nessa noite quem estava no topo era meu amigo e eu fugi do porão com espelhos, que rebatiam vergonhas e euforias.

Nota 5 pro bar de garotões. Cerveja barata, moças modernas, mas basta saber que existam lugares assim. Espero minha falta de sorte não impactar na nota do bar.

O bar não tem nome, mas é mais um desses perdidos na Augusta! Fácil de achar pela primeira vez, impossível de estar lá na segunda vez…

Thiagão foi e deu 5 corvinhos!


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Millennium – Mais que um bar de Faculdade ou A Deusa da Mesa ao Lado

Ele costuma terminar as aulas no Millennium, um bar que fica em frente a UniABC, é um desses bares de faculdade, que servem lanches e tem cerveja a preço justo.

É maior que a maioria, e como ele tem amigos que fumam, eles costumam ficar do lado de fora, onde tem uma pracinha legal com mesas e os caras podem encher o pulmão de enxofre sem problemas.[quote_right]O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.[/quote_right]

Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.

Lá normalmente terminam as discussões que começaram na aula, ou mudam de assunto totalmente e falam de futebol, das mulheres do bar, de carro ou moto, enfim, lá eles esticam, em algumas dezenas de minutos, as deliciosas conversas que gostamos de ter com os colegas da facul.

Nessa sexta estava garoando e por isso, sobre protesto dos amigos fumantes, eles foram pras mesas que ficam dentro do bar. Que estava lotado nesse dia.

Sentaram numa mesa perto de uma das portas de vidro, que estava fechada, mas permitia a visão da rua, a esta hora cheia da galera correndo pra pegar as vans que levam eles pra casa. Vida dura de estudante.

Hoje a ideia eram poucos minutos, e o Paulinho pegou só uma breja dessa vez, o Rodrigo começou a conversa sobre a aula, e o monólogo, como sempre, lhe parecia que ia longe…

Ele gosta de ouvir o Rodrigo falar e fazer comentários jocosos pro Paulinho rir, mas ele, de verdade, gosta do que ele fala…

Os três copos estão cheios e eles brindam! Ele solta o seu brinde mais famoso: “Um brinde a juventude, pois da velhice só levaremos a morte!” e ouve-se o bater surdo dos copos. [quote_right]Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.[/quote_right]

Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.

Olhou pro Paulinho e o seu queixo caído e os olhos em brasas não deixaram dúvida: Ele também viu…

Haviam outras pessoas na tal mesa, mas totalmente ofuscados por ela, que ria alto, falava alto, gesticulava, bebia goles enormes de cerveja e, não bastasse tudo isso, era a coisa mais linda que eles já viram sentada por lá.

O Rodrigo falava agora sobre algum defeito na moto ou uma conversa sobre o pai dele. Como havia agora um bom motivo pra ficar, embora o monólogo fosse sempre um bom divertimento, ele pediu e o Paulinho pegou outra breja e um pacote de salgadinho…

O olhar dela e o seu acabaram se cruzando, uma, duas vezes, mas na sua cabeça foram milhares de vezes, ele viu que a mesa dela estava cheia de porções, batata frita, e provolone a milanesa, aliás, ele lembra que as porções lá, embora demorem um pouco pra chegar, são ótimas.

Ele levanta e vai no balcão, pede um pastel pra ele e mais um pacote de salgados pros caras, e o Rodrigo agora fala do seu antigo trampo, na volta ele passa bem perto dela e ela lhe sorri com os olhos… ele fica vermelho e senta logo.[quote_left]Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.[/quote_left]

Ele prestou atenção pela última vez no Rodrigo, que agora falava da aula de sociologia, quando voltou o olhar pra a mesa ao lado não a viu mais lá, imaginou que tivesse ido ao banheiro, deixou o monólogo do Rodrigo só com o Paulinho de espectador e correu a porta do banheiro, esperou e esperou até desistir e voltar pra mesa, quando se virou pra mesa viu, atravez da porta de vidro, ela na calçada abrindo a porta do carro, ainda teve tempo de lançar-lhe um último olhar balançando o cabelo…

Retornou a mesa, desolado, Rodrigo discursava sobre escola e disciplina, pensou em pedir outra Brahma, mas viu que a banda de pagode já tava pronta, porque no Millennium de sexta tem pagode e depois das 11 e meia a cerveja fica mais cara também, interrompeu Rodrigo e sua história sobre armas em casa e preferiu ir embora antes que ouvisse algum pagode e este ficasse em sua mente…

O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.

O Corvo adora tomar umas por lá, acha o lugar limpo, legal e divertido, com breja a preço justo e lanches/porções deliciosas e por isso o Millennium recebe 9 corvinhos!

Millennium Beer
Avenida Industrial, 3045 (em frente a UniABC)
Santo André

E leva 9 corvinhos!

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Bar do Juarez – Chopp e Mulher bonita!

Você deve estar estranhando eu falar sobre um bar “digno”, conhecido e com site pra se visitar (http://www.bardojuarez.com.br/) onde o chão é limpo e as bebidas são boas…

Gostaria de dizer que vou ganhar alguma coisa com isso, mas não! Vai ser de graça mesmo.

Ontem estive lá e gostei muito do lugar, o Bar do Juarez que conheci fica na Joaquim Nabuco, lá pelo Brooklin, e só estive lá porque um amigo mora perto e queríamos tomar umas brejas. Como gostei resolvi que ele merece espaço aqui.

Aliás deve haver um motivo semântico ou espiritual para querermos beber cerveja sempre que junto com os amigos, mesmo que não seja para comemorar nada.
Sempre digo que o gosto da cerveja quem dá é a cia, e por isso por pior/melhor que seja o bar, quem vai dar qualidade a ele é a galera/amigos que estão conosco.
Sendo assim se for uma tranqueira ou não, o bar pode ser bom, afinal de contas, por mais sujo que seja o muquifo,  a cerveja vem fechada e o copo a gente pode limpar com o guardanapo.

Mas, no Bar do Juarez não precisa de nada disso, o lugar é chic bem! Cola uma galera mais classe média, tem bastante menininhas que moram lá perto, e bem bonitas!
[quote_left]Sempre digo que o gosto da cerveja quem dá é a cia e por isso por pior/melhor que seja o bar, quem vai dar qualidade a ele é a galera/amigos que estão conosco.[/quote_left]
Obviamente que diante de nossas carcaças zuadas e do fato de não sermos seres livres ficamos nos comes e bebes e nada de se engraçar com as bonitinhas.

No Juarez se a idéia é beber cerveja e só, lá não é o melhor lugar do mundo, eles não vendem aquelas garrafas clássicas de 600 ml, só tem long neck, o que é chato porque na hora de servir pra 4 tem que abrir 3, e ai fica um restinho na garrafa que depois fica ruim de beber e tals… não curti isso.

Mas tem explicação! Lá é um bar de Happy Hour, e a pegada é o famoso Chopp Brahma, que de fato é uma delicia, então se for até lá, esquece isso de cerveja, se joga no chopp que é melhor.

Os preços são salgados, mas tem que lembrar que no preço das coisas está também incluso o ambiente e a localização, que são ótimas. O bar tem varanda e a gente pode ficar olhando o movimento da rua. Dentro a galera que fica é mais família, pelo menos ontem, ai tinha gente com criança e bebê, clima bem gostoso.

Galera curte mesmo comer no Rechaud por lá, a gente, molecamente, pediu uma porção de mandioca frita e depois polpetinhos caseiros, ótimos. A mandioca é sequinha, e o tal polpetinho tem mais jeito de kibe metido a besta que qualquer outra coisa, mas bem gostoso!

A pegada é ir com sua/seu namorada/o (ou pretendente) ou pra comemorar aniversários.
Os garçons são bem simpáticos e aceitam brincadeira.

Pros mais corajosos que queiram esticar a noite tem um “american bar” do lado que mais parece um cassino de tanto neon, a gente não foi até lá, mas quem curte esse tipo de rolê… se joga!

Resumidamente:
Ótima localização e ambiente,
e o público é mais bonito que a gente

Beber cerveja não é negócio,
melhor é beber chopp e ficar no ócio

As comidinhas são deliciosas,
não são baratas, mas são gostosas!

Especialidade dos caras são as carnes no Rechaud
Caso não saiba virar a carne chame o garçom, por favor.

Juarez é pra um dia que queria gastar mais e comer bem.
Melhor é ir acompanhado/a do seu amor
Se for solteiro/a vá bem vestido/a pra não sair sem ninguém!

Bar do Juarez ganhou 8 corvinhos!

Bar do Juarez – Brooklin

Rua Joaquin Nabuco, 325
110

Kantinho, com K mesmo

Estou aqui no bar, esperando não sei o que. Ou quem sabe não sei quem. Nem precisa falar, a posição de quem espera realmente não é das melhores.

Mas espero, num bar em frente ao metrô vergueiro, em São Paulo e eu sei que é triste, ou falta de habilidade na escrita, mas minhas histórias tem endereço. Quem conhece a região sabe que é cheia de faculdades por perto o que faz qualquer bar lotar com uma garotada que é muito boa em gritar. Quem não é bom, como eu, acaba entrando na onda depois da segunda dose.

Bom, o bar, não tem nada de surpreendente é lugar pra comer algo rápido e sair. Lanche, kibe, beirute. Eu bebo, espero, peço a Deus salvação. Logo na entrada a mensagem “Kantinho do pão de queijo”. Com K mesmo. Pintado nuns azulejos, uma coisa meio Brasil imperial.

O espremedor de sucos avisa. Esperar é desesperador. Mais uma cerveja, as moças e os cappuccinos. Sinto o frio na espinha, escolhi esperar no lado de fora e faz um frio matador. O espremedor de suco silencia. Eu aprendo, se for esperar escolha um bom lugar.

Cantinho é kantinho, então pegue sua blusa e espere ser bem atendido, hoje em dia tá dificil, mas desisti do cappuccino, vai uma cerveja e uma coxinha pra variar.

A moça ao lado grita, deve ser um outro aviso, o nunca existe. Coxinha no microondas é pecado capital. Dai o nunca, se for coxinha desiste de esquentar a bichinha. Esquentar vale pra mim e não pra ela. Resseca a casca, fode a vida.

Vai dando a hora, a minha e da garotada que grita. Peço a saidera, sorrisos médios, sorrisos falsos, verdadeiros sorrisos de quem já bebeu demais. Não vi sorriso melhor que o da lixeira que nos recebe na entrada, aquela de palhaço em parque de criança, saca, com a boca aberta?

Preciso de um banheiro, antes disso nota 6 para o bar de cerveja a preço justo e espremedor de sucos esperto.

Kantinho do pão de queijo

R. Vergueiro, 745 – Liberdade
São Paulo – SP
21

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