O palco de moças e sujeitos detestáveis

13/09/2011 Resenhas de Bares

Isso é uma resenha de uma bar. Famoso por funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ao menos nos parece. Já rolou de ir terça-feira ás 2 da manhã e lá estava ele. Como se fosse uma segunda, ou terça ao meio-dia. Como se fosse um sábado na melhor hora do dia, na verdade nem importa, nos parece que ao entrar no bar é como se fossemos levados para uma mesma data, com a mesma hora, com os mesmos garçons e atendentes.

E acreditem, isso é assustador. Os figuras que lá passam fazem rodízio. Sempre tem um diferente e isso é mais assustador ainda. Mas vamos voltar ao bar, na verdade parece uma padaria que serve almoço durante o dia e aguarda o cair do dia para deixar gritar a Jukebox.

Suas cadeiras escondem marcas de gente que falta banho e de todos os tipos de frustrados. Se for bem esperto ou não tiver contaminado por álcool verá máquinas de bingo escondidas numa entradinha marota logo no caminho do banheiro. Alías, a máxima nesse lugar é sempre fique atento.

O caminho do banheiro é guiado por uma escadaria que qualquer um apostaria que nem baratas ficam lá de bobeira. Ao final do marasmo sombrio dos degraus dá para encarar uma porta que dá acesso ao salão das máquinas, uma outra do banheiro feminino e uma abertura logo a esquerda que dá acesso ao banheiro masculino. Isso mesmo, é uma sala que botaram uma pia grande e aqueles mictórios de lata que preenchem a parede toda. O que me faz lembrar de uma teoria que toda mulher devia sentir essa experiência na vida, mijar nesses mictórios. O barulho do jato batendo na lata, ou quando estiver bem chapado e mirar na bolinhas de naftalina. Não basta só saber como é mijar em pé, tem que se equilibrar na cachaça, abrir o ziper e aproveitar esse prazer. Acho que era isso que Duchamp quis expressar com sua fonte.
Todos os tipos de estranhos andam por lá. Putas decadentes, toda espécie de alcoólatras, viciados em bingo, mendigos e dançarinos da madrugada. Claro, as mesas são companhia pra gente dançar. O som toca alto algum tecnobrega da atualidade que eu sempre desconheço. Enfim todo canto se transforma num reduto barulhento, mais dois reais e tem direito a escolher o novo hit da noite. Senhoras seduzem e se amontoam aos caquéticos que se debruçam no balcão. Os seres esquecidos da favela ao lado revezam copos de cerveja com embrulhos bem escondidos no casaco. Falo no plural, pois nesse reduto quebrado eu e vários já passaram, numa espécie de ritual da perdição no qual vencer garrafas de cerveja é o primeiro passo para salvação.

Os mesmo senhores que fazem a pizza de sabor duvidoso preparam seu drinque de Dreher e qualquer coisa que tiver. O asco do ar e os malucos perdidos que lá encontram são tachados na entrada, impressos em posteres e grudados na parede com babá e gema de ovo podre. Lambe-lambe com cheiro ruim. Moças sedentas por grana e caras renegados dão de cara todas as noites, num bar de diversão barata, cruel e verdadeiro.

Parece que todos se identificam com o lugar. Prevalece consentimento que algo de muito errado existe. E por sermos tão errados, nos encontramos lá todas as noites.

– Esse é o adorável bar das putas, relatado por nós em outros versos e onde temos uma coleção de histórias. Me dei conta que preciso de mais algumas madrugadas para descrever tudo que já foi visto por lá. Por hora veja dois poemas falando sobre a mesma coisa, partindo de dois pontos de vista distintos(ou nem tanto…)

[ Leitura obrigatória 1 ] – Robertão que escolhe ao alento músicas paraenses na Jukebox viciada.
[ Leitura obrigatória 2 ] – Thiagão que sempre enche os bolsos com moedas de 25 e vai ver as máquininhas brilharem.

Não somos bem vindos nesse bar, então nada de propaganda gratuita, mas de tão errado esse bar leva nota 8.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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