Você tinha gosto de poesia com café
contenta mas não sustenta
era um gosto amargo de passado
que não tinha acabado de escrever.
Eu me intrometia entre os seus dedos
desleixada quase te machucava
só que uma parte blindada te protegia
nunca me deixava totalmente em você.
Nem eu, nem você estávamos imunes
era a consequência da convivência
o apego que chega sem convite
que deixa dez chamadas perdidas.
Deslumbrei-me com o canto cifrado
quase cai na armadilha musical
e vi que não precisava de você.
Precisava ter te conhecido,
só que não de você para sempre.
O jeito hippie, sem pretensões
pode até encantar, mas não segurar.
Eu preciso de algo além de você
preciso de Fernando Pessoa
para nutrir a minha alma.
Preciso de chocolate quente
para alegrias em sábados demonstrar.
Desmontei a sua personalidade
que já não era nada de novo
e continuei a correr pelo meu jardim
sem você, que nem ao menos fez falta
porque não me sustentava por completo.
