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Um verso do acervo

Gritos do Nada

Entre suas pernas ainda grogue

Coletivo literário Poesia desde 2009

Portrait of a Man · Jan Gossart (called Mabuse) · ca. 1520–25 — The Met

Tormenta perfeita

28/05/2026 Sonhos Viciados

Fazendo dessas ruínas moradia, sonho com festas & dança, sonho com vento na cabana.

Tambores ardem nos cantos mais esquecidos do meu corpo.
Enquanto uma criança entrega o sono nos meus braços de arame e pernas de fantasia.

Ainda escuto esse oceano infinito [que abre & fecha suas portas] & o sussurro dos montes onde descansam suas árvores imensas que escondem coordenadas de mundos inexplorados.

Perfeita & delicada tormenta, desaparece com amores em suas ondas de loucura, engana a memória & lança cartas de amor no mar das nossas aflições. 

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Vilão?

13/11/2024 Gritos do Nada

todo mundo é vilão na história de alguém
o foda é ser vilão na própria história também

a faca rasga o braço e o que sai é sangue ou sofrimento?
eles nem olham no seu olho, mas rápido dizem “eu lamento”
lamento o que, diz aí? lamenta pelo que eu fiz ou pelo que sofri
lamenta pelo que eu passei, ou pelo que eu tive que mentir?

hipocrisia é o nome do jogo, e eu ainda sou aprendiz
mas logo vou pichar um sorriso no rosto, e dizer que sou feliz

agora tu diz que queria um sorriso sincero? Felicidade pra valer?

mas não é isso que eles querem ou que você quer
porque vocês querem é o silêncio satisfeito de quem não sabe viver!

Ah é o vilão, deixei esse fio lá no começo, vou fingir que me conheço e dizer que já sofri…
mas não vou mentir, vou contar que já fiz sofrer,
que já sorri quando alguém caiu, que já comemorei vendo alguém morrer, que já pensei “que bom que não sou você” quando foi tu lamentou comigo…

mas se somos todos vilões na história de alguém… quem é que vai querer ser nosso amigo?
mas se quiser eu fujo contigo… nem que seja as horas que escorrem entre os dedos, nem que seja os piores minutos do dia… me dê a sua pior companhia!
só não me dê sua desatenção, só não faça pouco de mim… eu já sou tão pouco assim…

queria levantar a cabeça pra sempre, não dobrar o pescoço e fingir que tem algo no celular
queria olhar no seu olho e conseguir sustentar…
encarar o tédio da parede vazia, deixar o pensamento ir sem medo do destino, queria te falar um absurdo, mas sorrindo…

queria sentir o gosto do seu beijo e do seu desprezo, queria gozar olhando pro espelho, queria cantar aquela música chata, mas que fica na cabeça, queria uma causa nobre, mas que não enlouqueça!
A revolução quero no meu jardim, o sol da tardinha me fazendo carinhos no rosto, ela por mim, eu dando desgosto…

Esquece esquece, esqueci do caminho, não sei pra onde vai, há caminhos que só se fazem sozinho, por ser longe demais.
tem aquele momento que só tem uma pessoa que pode ver o seu fracasso
esse momento chega todo dia, e essa pessoa só pode ser você.

todo mundo é vilão na história de alguém
o foda é ser vilão na sua história também

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Os gritos que não dei

09/11/2024 Gritos do Nada

Seguro o choro segura o choro!
Que agora é hora de sorrir! finge um sorriso pro insta!
segura essa lágrima que quer cair!!

todo mundo te pergunta se você tá bem, mas ninguém quer a resposta!
Cada um fechadinho no seu mundinho de bosta!
abre a janela, tira o olho do celular!

Pega o sol, a vida bela, se dê o direito de se amar!
passa vergonha, esqueça essa pose, deixa de cerimônia, fica sem neurose!
Diz o que quer, fala sem pensar, pode se arrepender, ninguém vai notar…
a vida é sua e é uma só! piscamos o olho e viramos pó!

tá… e eu?
eu tô certo, sendo todo errado, outro ano vencendo, mas sendo derrotado!
professor vagabundo, mas adorado! Revoltado com o mundo, mas satisfeito! Tudo que me fortalece eu carrego no peito!

Minha força vem do amor que é compartilhado dos beijos e dos abraços apertados!
dos sorrisos que não me foram negados, de não sofrer pelo passado!

Desculpa eu não quero e nem peço, dos meus erros eu prefiro pagar o preço.
E é caro se manter fiel a si mesmo, só eu sei… arrependido?
só dos gritos que não dei!

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Reza em hospital

19/01/2024 Sonhos Viciados

Tento lembrar se existia paz quando minha única morada eram as ruas líquidas do ventre da minha mãe.

Reza em hospital.

Peço a Deus ao menos os grunhidos das crianças lá fora. 

Mergulho no meu mais triste silêncio.

Os doutores, os relatórios, os sinais perversos dos desastres naturais que nos arrebatem.

Eu rezo, quem sabe a sorte sufoque o amanhã.

O turno, os operários, a lembrança mais remota que tenho é uma cidade do interior.

Regressão num leito frio. A terapia que antecede a morte.

Eu rezo. As vezes eu quero ir embora, hoje eu não vou. Do que será que sonham as máquinas?

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Jogadas ao vento

24/12/2022 Gritos do Nada
As paredes não enxergam
Mas dizem que tem ouvidos

Beliscam azulejos, beijam cotovelos
Os loucos fazem o impossível

Deita sobre a relva o amor
Que se desfaz em orvalho na grama

Só entende quem ama!
Mas tudo está por dizer

Nada NUNCA foi feito
E sem feito nada será

Cubro o rosto com a capa
Mas capa aqui não há 

Os murmúrios me adoecem
Prefiro os gritos e os risos
Seguro o peito que deita lágrimas
Escorre o que corre pelo rosto
Não há sinal de gosto ou desgosto Se chora por tudo, principalmente por nada
Sigo reto nessa estrada? Ou paro e fico um pouco? Queria gritar, mas já fiquei rouco Queria correr, mas já estou morto
Quantos quilos tem o arrependimento?
Pesa mais que cimento o sentimento
Não há volta que permita consertar Fecha o olho, limpa a cara e vai
Outros erros vai cometer
Outras vezes vai magoar Quantas vezes vai sofrer? Quantas horas vai chorar? Quem quer viver pra sempre? Repetir os mesmos erros? Quem quer morrer hoje?
E não ter tempo de comete-los?
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Recordar é viver

10/09/2011 Gritos do Nada

Fala ai…

Eles falam de mim, parece que sempre falam Sei lá se me odeiam ou é só inveja Sei que a caravana segue enquanto os cães ladram E nem perco meu tempo com o veneno que visceja Eles apontam, com gosto, minhas falhas Colocam o dedo em qualquer erro meu Não entendem, esses cabaços canalhas Que […]

25/07/2014 Gritos do Nada
Como a maioria das mulheres, ela é saborosa e insuportável.

Acorda Irina – Outra mulher saiu da sua cama

13/07/2011 Sem categoria

Obrigada

O que sou eu comparado ao seu poder?Do que serve minha inteligência sem sua sabedoria?Até meu corpo foi criado para seu louvor. Obrigada por me amar,Por morrer em meu lugar,Obrigada por me aceitar,Obrigada por me criar e sua filha me tornar… É na tua presença que eu sempre quero estar,Minha alma deseja tua face encontrar.Toma […]

05/04/2013 Colunas - Zumbido Fugaz

Acabou?

Será que tem algo mais produtivo do que ficar aqui comendo chocolate? Ligo a teve e eis um comercial de guarda-roupa de casal, no ponto certo, isso me lembra você. Planejávamos tão ardentemente felizes nossa vida conjugal, nos beijávamos nas lojas de móveis experimentando cada colchão deitando-nos um ao lado do outro. Você se preocupava […]

28/10/2011 Backstage

Quando morrer vou dar meu caderninho a um nobre garotinho

Ia ser um poema sobre amor. Queria botar os anjos no meio, pois fiquei pensando que eles não tem sexo e daria pra tirar algo disso. Mas não saiu nada bom. Dei de cara no meu mais recente caderninho, não que ele seja novo, mas é o companheiro que carrego.E tem bons fragmentos nele. Então […]

24/02/2012 Gritos do Nada

Conto Carnavalesco – Homem da Meia Noite

Como posso estar tão cansado ainda no sábado de carnaval? A resposta certa é com certeza a quantidade de bebida e a longa viagem de Porto de Galinhas à Olinda, mas a resposta que gosto de usar é a falta de amor e de beijos que me assolam nesta atual festa da carne… pra não dizer que fiquei […]