Podemos ir além… RIP Steve Jobs

06/10/2011 Backstage

O cara morreu, e isso é chato mesmo, o Gates ta aí vivão e ganhando mais dinheiro do que meu salário jamais me deixará entender.

Nunca entendi muito bem a relação que fazem entre os dois, claro que é mais impressão minha que realidade, mas Gates me parece mais um gênio das estratégias de marketing e venda e Jobs (embora seja foda nisso), um gênio do design… [quote_right]”Why so serious?”[/quote_right]

Um exemplo? Eu não tenho produtos da Apple, e em contrapartida, o Windows é o que define pra mim o que é sistema operacional…

Mas não é disso que quero falar, na verdade estou tergiversando pra falar de história (!!!)

Por que?!?!? Simples, todo mundo está falando do caráter revolucionário de Jobs, das mudanças que ele com seu gênio provocou. Houve, na visão de muitos, uma revolução na forma que as pessoas fazem muitas coisas…

Pra mim o mérito de Jobs foi fazer as perguntas certas, ele olhou aquele trambolhão feio e nada atrativo que era o computador (que até o nome já nos soa cafona) e perguntou: “Why so serius?”
Ele perguntou: Por que não pode ser menor? Por que não pode ser mais acessível? Por que não pode ser mais barato?
E a melhor de todas e que o consagrou: Por que precisa ser tão feio?!?

[quote_left]Por que votar e ficar esperando que o cara faço o que você espera dele, se você poderá cutucá-lo no Face? Por que não, oras, eu mesmo participar das votações por algum aplicativo no site da Camara?
Por que… por que…[/quote_left]E vieram os Mac e blablabla… ai ele fuçou na relação que a gente tem com música com os Ipods, foi lá e enfiou um monte de função no celular com os Iphones, e não satisfeito novamente perguntou por que os computadores tinha que ser como são? E lá veio o Ipad…

Lembrem-se: ele não era formado! E talvez a sua relação com os designers e engenheiros fosse de lhes propor o problema e sentar esperando que os caras resolvessem (não sei de fato como era e não vou dar um google pra saber)… e mesmo assim, se foi isso, foi magnífico!

E a história? Bom, todas as grandes mudanças na sociedade foram precedidas de revoluções tecnológicas, pra não ir muito longe a revolução industrial nos legou a geografia que temos hoje, de cidades enormes e os campos rurais vazios…[quote_right]Pra mim o mérito de Jobs foi fazer as perguntas certas, ele olhou aquele trambolhão feio e nada atrativo que era o computador (que até o nome já nos soa cafona) e perguntou: “Why so serious?” [/quote_right]

Mas vou falar de dois caras: Isaac Newton e Descartes!
Eles, como Jobs, não inventaram a roda, mas fizeram as perguntas certas. Podemos dizer que o método cientifico foi criado por eles e suas indagações.

Descartes entrou numas que não existia verdade até essa ser testada, isto significava duvidar de tudo, e ele duvidou de sua existência até se tocar que: “Penso, logo existo”!

Isaac Newton (aquele que “inventou” a gravidade com uma maça na cabeça, olha a Apple ai) também queria provar que as coisas tinham que ser comprovadas mediante experimento, as coisas não são por que são, mas sim porque foi provado que são. É muito mais complexo que isso, tem mais nomes, mas hoje tá bom…

Depois essas ideias de duvidar e de que as coisas não são porque são e pronto, foram levadas pra vida, pelos iluministas, como Montesquieu, Diderot, Kant, Adam Smith e outros… e eles escreveram contra algumas coisas que eram “eternas” na época, como o Absolutismo, o Mercantilismo, a sociedade engessada, a influência da religião.
Suas ideias junto com a insatisfação das pessoas gerou a revolução francesa, a revolução americana, e muitas outras e se a nossa sociedade é o que é hoje é porque ela começou a ser “inventada” por esses caras que passaram a acreditar que as coisas não deveriam ser como são já que o Descartes poderia duvidar até de sua existência e Newton estava explicando até porque as maças caem no chão…

Qual a relação com Jobs?
Podemos estar diante de uma nova revolução do pensamento, baseados, não só no trabalho de Jobs, mas de outros, se o computador não precisa ser como é, se não precisamos ouvir música como ouvíamos, se o celular pode fazer milhares de coisas que antes não fazia, por que a gente não pode mudar o modo que vivemos?

Por que votar e ficar esperando que o cara faço o que você espera dele, se você poderá cutucá-lo no Face? Por que não, oras, eu mesmo participar das votações por algum aplicativo no site da Camara?
Por que… por que…

Podemos estar a beira de algo que não fazemos ideia, e, assim como não dá pra dizer que Descartes e Newton foram responsáveis pelas mudanças que vieram depois deles, não podemos dizer que eles não foram…

Se o mundo mudar ainda mais daqui pra frente, não podemos dizer que gênios como Jobs, Mark Zuckerberg, Gates e outros foram os responsáveis, mas também não poderemos dizer que não foram…

Mas e você, que “por que” você inventou hoje?

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

Comentários

5 thoughts on “Podemos ir além… RIP Steve Jobs

  1. Porra cara, que post cabeçudo é esse? hahaha! Estava estruturando na cabeça um post pro blog do meu portfólio sobre como design é um fator decisivo no momento de compra. Pensei que não era o design simplesmente, mas de fato a experiência e relação que dado produto se da com seus consumidores. Ia ser puxar muita sardinha pra minha função. Pois design é só umas das ferramentas de uma cadeia de ações pra deixar tudo amarradinho. E Steve tomou frente nesse pensamento. Acho que seu legado vai muito além de fazer hardwares bonitos, amigáveis ou funcionais. Sua revolução se deu em pensar em toda a cadeia. Acho que a vantagem dele era que ele não era um engenheiro e nem um designer. hahaha!

  2. A parte do início é bem o que eu estava dizendo por aí… ;x mas, é claro, não dá pra negar que ele merece muuito disso tudo que estão falando por aí. Acho que também vale lembrar que caras como eles não só fizeram as perguntas certas como tiveram a chance de fazer isso acontecer.

    e essa relação deles com toda a mudança, como se uma grande mudança estivesse pra acontecer, eu ainda não tinha pensado tão diretamente assim ‘-‘

    1. Oi Dana! Primeiro valeu pela visita!
      Pode ter certeza que é recíproca!

      A questão do texto é que os gênios são produtos da sua era, e não o contrário, DEscartes e Newton, Jobs e Gates, são as pontas dos icebergs que a agitação natural da sociedade faz crescer… Gênios são aqueles que pegam uma ideia que já estava no ar, sabe aquilo do: Por que não pensei nisso antes?

      E o resto é exercício de futurologia mesmo, quando vemos no jornal manifestantes sendo atacados por policiais e Wall Street temos que começar a pensar no que isso significa para além de um movimento com um monte de bandeiras. Já tivemos revoluções que não foram televisionadas, agora temos algo (que ainda não se pode chamar de revolução) que mais que televisionado será vivido por qualquer um com internet. O mundo muda, e quem sabe, como outrora, não mude pra melhor?

      Valeu por me fazer pensar neste texto de novo!

      Grande abraço!

  3. Betão, parabéns pelo artigo! Muito bacana!

    A minha humilde opinião a respeito se resume em uma palavra: disposição. Tanto Newton, Descartes, Ticho Brahe, Galileu, Jobs, e mais uma pancada de gente boa simplesmente não tinham aquela preguiça de aceitar os dogmas impostos.

    Há 15 anos atrás, ouvíamos música em nossos diskmans (ou walkmans, pra quem não tava com tanta grana assim) e achávamos aquele trambolho o auge da tecnologia. Simplesmente porque alguém veio e mostrou como era “legal” usar aquilo. Os grandes inventores, ou melhor: inovadores, são aqueles que ao invés de curtirem aquele sonzinho de 20 faixas que consumia uma pilha do inferno olham as dificuldades de operação/utilização e tentam resolvê-las.

    Se for colocar um sentido histórico na brincadeira, o que seria do iPod sem antes existirem o alemãozinho que eu não lembro o nome (e não é Alzheimer.. rs) que descobriu que poderíamos remover os sons imperceptíveis de uma música e gravá-la como MP3. Depois desse alemãozinho, teve o Sean Parker que popularizou o padrão inventando o Napster. E depois teve o pessoal do software livre (dentre eles o próprio Linus Torvalds) que achou legal criar um protocolo em que todo mundo é cliente e servidor ao mesmo tempo, gerando os nossos bons P2P. O que o Jobs (olhando especificamente pra essa história) fez foi pegar uma carona nesse bonde, e melhorar o design dos aparelhos que estavam disponíveis. E óbvio, isso não tira o mérito dele, mas ele fez parte de uma cadeia evolutiva, mas só fez uma pergunta diferente: “why so serious?”.

    1. Pô Paulão!!

      Valeu! Pela leitura, e mais por completar o artigo com sua opinião… como é o mote agora, acho que aqui você completou o artigo com coisas que eu ignorava… Estamos produzindo coletivamente, não é a moda agora? rs

      A verdade é que é, como você disse, uma cadeia, ou uma corrente, e ai alguém pega as ideias que estão rolando, tem um puta trabalho, e faz algo novo e é gênio exatamente por fazer algo que estava ali atrapalhando todos e ninguém via… os gênios fazem o totalmente diferente parecer óbvio.

      Tem caras que são “para-raios” ou sei lá, as ideias confluem, e Jobs foi um desses… pelo menos eu acho. rs

      Valeu cara!

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