Pediu pra ver ela ir embora.
Arrumou um mirante pro seu retrato.
Algo como o terceiro degrau da escada do prédio, que fica em frente a rua que ela escolheu seguir.
Acontece quando a gente não quer encarar que acabou. Gosto de fim. E ela caminha pra longe. Um adeus que deu tempo pro retrato. Um privilégio, ela indo embora. Coisa rara, mesmo desprezando a ideia que todas as historias são raras pra quem as vive.
Ficou uma imagem, registro… A retina logo esquece dos detalhes, aqueles alguns que não tiveram a mesma sorte. O café da manha na padaria, a volta pra casa, o dia da piscina.
Enfim, memórias corrompidas pelo tempo, sensíveis a erros, carente de fidelidade.
Ele pediu pra ver ela ir sozinha, seguir o caminho, dobrar a esquina. Gosto de fim. Acontece quando a gente não quer encarar que acabou.
