Sigo os caminhos dos bêbados que tropeçam
Cambaleiam entre carros, gente e vida
Me perco e me acho nas noites que terminam
Procuro entrar numa via que é sem saída
Não tenho medo da escuridão da noite
Me assusta sim o rosto pálido do dia
Sou semi-vivo, uma mentira que sorria
Rezando de joelhos sem sentir o açoite
Perco minha alma nos goles e no beijo
Minha carne queima ao seu toque sublime
Fujo assustado do seu corpo rijo
Caçando uma palavra que me redime…
E me perco entre os améns e as aleluias
Sonho com a salvação e o prazer
Parto o pão e o coração na ceia
Rezo baixo, por não saber o que dizer.
A saia dos padres, a febre das feiras
delírios perversos assombram minha carne.
Soluço um erro, rezo baixo.
Ainda não sei o que dizer.
