Trocando olhares clandestinos,
Mirei a história de um homem,
Sem verde, nem amarelo,
Levando a vida com um punhado de abandono e navalhas pra cortar a fome entre almoço e janta.
Trocando olhares eu alimento minhas noites,
Fugindo do descanso e me preparando pra lutas sem armas, como os alunos sem lousa.
Morador de rua sem roupa. Na ausência de giz nos ensinaram quem fica dentro, quem fica fora.
Lição de casa: reconhecer os marginais. Quem fica dentro, quem fica fora.
Estou lutando, como aquele homem, vencendo a noite.
Resistindo o descanso. Lendo textos antigos, gozando de ideias velhas e desprezando a lógica que põe meus vizinhos de joelho.
Resistindo o sono dos justos, pra ler notícias tolas ou escrever um texto sujo. Mirei a história de um homem que não dormia.
Como podem os senhores? Dormir na terra na qual é justo deixar meus vizinhos de joelhos?