Que gosto estranho na boca, é gim com sangue? Em um salto, corro para o banheiro e é isso mesmo, sangue… E dente? Caramba, tudo bem que eles não estavam lá essas coisas, mas eram meus dentes.
O cigarro, as noites de bebedeira, estavam fazendo com que eu não me cuidasse mais como antes. Uma quase pin up envelhecida. Com uma coleção de livros, filmes e CD´s que não aumentavam, sempre no mesmo. Ligar a TV só para repetir novamente ”Bonequinha de luxo” e começar a cortar tomates ao som de Johnny B. Goode já se tornara rotina. Céus, como pude parar assim no tempo…
Para piorar, parece que tem alguém no meu quarto. Uau, meu ex professor de filosofia do ensino médio que parece Kurt Cobain? Isso sim é bizarro.
-Vamos levanta! Não tenho o dia todo.
-Amor, não me acorda no susto, senão passo todo o dia com dor de cabeça.
-Vá embora, preciso… Bem fazer qualquer coisa na minha casa que não inclui você.
-Mas, como assim? A gente tem que se preparar para o show.
-Mais uma das suas loucuras Flávio?
-Flávio? Tá me confundindo com quem? Nunca imaginei que isso aconteceria.
-Olha só, para com a brincadeira. Não quero jogar hoje. Quero que vá embora, apenas.
-Mas não to brincando e não to entendendo amor.
-Você está tendo mais um dos seus ataques de personalidade Flávio. Te conheço há tempos. E de tempos em tempos você acha que é o Kurt Cobain, mas não é. E hoje estou totalmente sem paciência para jogar com você.
-Pare com isso! Fica querendo me confundir!!!
-Tá, respira fundo e me conta sobre ontem.
-Ontem, estávamos em um show de bandas alternativas. Uma moça ruiva e alta, passou e pegou em meu cabelo e falou: Siga-me. Você estava perto o suficiente para ouvir e dizer: ”Te sigo até o inferno vadia, para te desmembrar. ” Então, ela pulou para cima de você. Fiquei meio sem ação. Mas quando te peguei em meus braços disse-lhe: Obrigada por defender nosso amor, minha Courtney. E você: ” Te amo, meu Kurt.” A trouxe para casa desmaiada e hoje ao acordar não entendi a sua loucura.
-Bem, tem loucura que pega pelo jeito.
-O amor faz a gente querer acreditar na loucura do outro…
