26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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Calor relativo

07/12/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Eu tô suando, minha cabeça dói
E hoje tem uma prova de cálculos
Quem consegue pensar  nisso?
Enquanto o trem para a luz esta gelado
O metrô para República tá enlatado
E quente como no deserto do Saara.
Mas saio do inferno e vou para a brisa
Recebo um beijo revigorante do meu amado
E corro com ele na maratona do desejo
Esse suor é delicioso, é pecaminoso,
É revigorante, é até esplêndido!

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Enganar-se

05/12/2012 Gritos do Nada

Ele desconfiava dela…
Nada sério num primeiro momento, casados a mais de 8 anos, um garoto de 5, ele fingia as vezes não perceber as distrações dela, seu olhar perdido, o sorrisinho no rosto… mas percebia.

Ele trabalhava praticamente o dia todo, gerente de loja de sapatos.
Ela tinha parado de trabalhar para cuidar do garoto, mas agora que ele já podia ir à escola ela tinha voltado ao trabalho. Não precisava ajudar nas contas de casa e por isso pegou umas aulas só pra ter o que fazer mesmo, e também conhecer outras pessoas, enfim, sair um pouco de casa…

Mas ele vinha achando estranho o fato de ela quase não ter provas ou trabalhos para corrigir, das roupas cada vez mais bonitas para ir dar aula, não achava que devia comentar, afinal ela abdicou de tanta coisa pelos dois, que agora ela tinha direito a se arrumar sim. Mas, claro, a pulga estava lá, caminhando atrás da orelha.

Foi no futebol de quarta a primeira vez que ele achou que tinha algo errado. Um dos amigos, um zagueiro bem gordo, deu uma tirada de sarro comentando que o carro dela tinha que dar uma lavada, que ele viu o carro andando perto de onde ele trabalha e tava imundo. Ele riu, disse que carro de mulher é foda e encerrou o assunto… mas o que diabos ela estava fazendo tão longe da escola?

Ele comentou com ela, ela falou sobre uma loja de malhas… ele engoliu, não quis criar caso, além disso, era sua mulher, por que mentiria pra ele? Embora ele ainda estivesse calculando que horário ela estaria passando na tal loja, pra saber senão era hora de estar dando aula…

Então resolveu tirar logo a prova, odiava ficar nessa dúvida, não queria ser um tipo de Bento… contratou um detetive. O cara garantia resposta em até 7 dias. Ele só pediu pra ser informado sobre os dias que ela seria seguida. E assim foi.

Ela tava saindo pra dar aula, ele levava o garoto pra escola (era caminho pra ele), assim ela podia sair um pouco mais tarde. Eles moram num condomio e o carro dela fica estacionado na frente da casa, e quando chegou ao carro tinha um bilhete grudado no para-brisas: “Hoje vai ter alguém te seguindo” Ela estranhou, entrou no carro olhando pros lados…

O detetive ligou, informou que nada tinha acontecido, que ia segui-la no dia seguinte, que ele devia continuar agindo normalmente…

Manhã do dia seguinte, a familia doriana tomando café juntos, ele pegou o garoto, ela pegou sua mala com livros, deram o beijo protocolar de toda manhã (por que fazemos isso? Ele pensou.), ele foi embora. Ela foi até o carro, no para-brisas novamente o bilhete. Ela sorriu, achou estranho, olhou pros lados, amaçou o bilhete e foi embora.

O detetive suava frio, toda vez que a mulher não trai o cara ele não consegue cobrar mais caro, sempre que ele confirma uma traição o cara quer mais detalhes, ele pede mais dinheiro… mas quando não, ele fala, o cara fica aliviado, as vezes chora por ter desconfiado da sua honesta senhora, paga e nunca mais o chama… e agora, depois de 7 dias em que ela só fez ir a escola, ele sabe que vai receber o combinado e mais nada. O detetive liga pra ele, marcam pra conversar no shopping.

O detetive nada entende, ele pediu para continuar a investigação… por mais uma semana. O detetive concordou, pediu o mesmo valor, e foi embora balançando a cabeça.

Ele não parecia estar convencido… ela contiuava sua rotina, cada vez mais distraída e cada vez andando mais bonita. Nem ficar com o garoto ela andava ficando mais, esperava ele chegar e arrumava alguma coisa pra fazer em outro comodo. Ele parecia mais conformado, porém a dúvida lhe atormentava, por isso pedir mais dias ao detetive.

Dia seguinte, a mesma rotina da familia feliz e mais um bilhete no para-brisa… ela começa a ficar nervosa, com medo… quem será que está me seguindo? Pensa ela…

Dias passam, penultimo dia da investigação, o detetive resolve que não vai seguir ela hoje, nem liga pra ele nem nada. Sai pra almoçar e percebe que está bem próximo a escola onde ela trabalha, por desencargo de consciência vai até a escola, no pátio do estacionamento vê ela agarrando-se ao porteiro, escondidos atrás de um caminhão… tira muitas fotos! Sorri satisfeito, muda de posição, não quer que ele tenha dúvida alguma.

Marcam novo encontro, detetive e ele sentam-se na praça de alimentação. Detetive coloca um envolope na sua frente, ele abre, vê as fotos, as lágrimas molham seu olho, ele respira fundo enquanto olha pra cima… Depois de minutos de silêncio ele diz:
– Quando foi que você tirou as fotos?
– Tirei ontem… responde o detetive.
– Mas ontem você não me avisou que ia segui-la! Responde ele em tom ríspido.
– Não ia mesmo, acabei passando perto da escola e a vi… por que?

Ele não responde, paga a conta, pega as fotos e vai até o carro… se senta no capô e fica imaginando como pôde colocar aqueles bilhetinhos no para-brisas dela só pra adiar essa certeza…

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De malas prontas

04/12/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Estou de mudança, saindo de você
Indo para longe do que seria nós
Você não irá se importar mesmo
Aliás são só tpms e vestidos a menos
Deixando mais espaço em seu armário.

Estranho ver a minha escova vermelha
Tão só, sem a sua azul para iluminá-la.
A distância trouxemos para perto
Não culpe o tempo, não culpe o cereal.

O tempo errou dando pouco tempo
O destino se perverteu em intrigas
Transformando em dois o que era um.

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Recordar é viver

01/04/2013 Gritos do Nada

A mesmice e a velhice…

As ideias se perdem entre uma tarefa e outra Um telefone que toca, um e-mail que chega A criatividade adoece no horário apertado No coletivo lotado, no dia-a-dia perdido O amor esmorece nos beijinhos estalados No “eu te amo” automático, no virar pro lado e dormir A juventude se consome nas contas a pagar No […]

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11/09/2011 Gritos do Nada

A culpa é sua!

Soco na face Sangue na blusa Um grito, um enlace Uma queda na rua Soco na face Sangue na blusa Corra, não relaxe Sua raiva esta nua Soco na face Sangue na blusa Como se o sangue curasse As dores difusas Soco na face Sangue na blusa Não fuja e nem disfarse A culpa é […]

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05/06/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Mundo, querido mundo

Foi um erro buscar uma cura para o mundo? Sentir na pele todo pensamento imundo A malandragem por uma grama de diversão que não  exige limite de perversão que vai junto com a dignidade que se tem uns de mais outros de menos retem caminha olhando os objetos que possuem e não tem imaginação do […]

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22/11/2011 Resenhas de Livros

Natimorto – Lourenço Mutarelli

Conheci o Mutarelli pra valer quando ganhei o Jesus Kid, outro livro do cara, só sabia até então que ele tinha escrito o romance Cheiro do Ralo e atuava no filme. Mas Jesus Kid merece uma resenha só pra ele. O natimorto foi outro presente. Esse, não reserva tanto humor como Jesus Kid, mas é […]

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16/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Sábado no Shopping

Mármore no chãoNo chão os sapatosInfelizes segurançasDe ternos engravatados Lojas abertasAberta a temporadaDe caça ao preçoPreço que acha bom Coloridos lojistasDe polo, suadosNum sábado lotadoSem opção! Ar-condicionadoCondicionado fulgorDos dias perdidospobres dias sem amor Cartão de crédito ou débito?Pra presente? Pode embrulhar?Parcela em 5! Leva um pro seu filho! Aceita cheque?Faz o cadastroDo consumo isso é […]

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26/11/2013 Zumbido Fugaz
Não é egoísmo, é um amor exausto...

Vencidos pelo cansaço

Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: