26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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Sem direção!

28/11/2012 Gritos do Nada

Olhou pro sol e pro chão, limpou o suor e partiu!
Resolveu que iria até a calçada acabar
Assistiu a água suja descer pela sarjeta e sorriu.
Imaginou-se navegando entre as manchas de óleo…

Era tudo em vão mesmo, imaginou…
As calçadas, a água suja a correria
O trabalho, as mentiras e as verdades
Sentou-se, cansado, quando a calçada acabou

Leu a placa da rua, (Rua Alegre)…
Levantou-se pra andar até o fim dela
Passou pelos prédios classe média
E os pontos de ônibus das diaristas

Terminou a rua numa esquina desolada
Uma forte subida, e era o fim da Alegre
Pediu comida numa empresa perto dali

Tinha ainda as roupas limpas,
Mas o olhar lhe traía…
Era um homem da rua, não podia mentir

A falta de carne, um tanto mais de sol
A testa enegrecida pela fuligem dos carros
Suas histórias, quase nunca factíveis…
Era um homem da rua, e podia mentir!

Lembrou de porque começou a caminhar
Da criança, sua filha, que jazia no chão
Do ônibus, da rua, das pessoas gritando…
Ele não suportava, nunca iria suportar

Mirou outra vez o horizonte mais distante
Levantou limpando a calça muito suja
Estalou as costas, disse obrigado
Partiu!

Chorou baixinho, pelo que sempre lhe faz chorar
Sabe que por mais longe que ande
Sua memória estará sempre lá…

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A vida feita em pequenos desperdícios

22/11/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Joguei um jornal no lixo, jornal do dia. Todas as urgências e futilidades na lata suja de um terminal de ônibus sujo e feio. Um maço de aflições cotidianas, repleto de palavras soltas, propagandas, ofertas. Devia ter ficado com os classificados.

Deixei um amor em casa. Tenho um amigo que sempre reclama que está sozinho.

A vida feita em pequenos desperdícios. No jornal tem uma área para isso, os carinhos pagos, os assassinos soltos, um computador novo, carro do ano com preço de um antigo. Quem sabe assim meu amigo não se sinta sozinho. Devia ter ficado com os classificados.

Me aterroriza a ideia de bem estar ao comprar um punhado de qualquer coisa. Eu pagaria para matar alguém, meu amigo compraria um carro. E ficaríamos todos bem. Pequenos e rasos desperdícios.

Abandonei o jornal do dia numa lata de lixo.

Deixei um amor em casa. Isso é um desperdício.

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Uma foto em P/B (pra dar um drama) / Eu tô voltando pra casa

19/11/2012 Sonhos Viciados

Uma foto nossa de dez anos atrás.
Em P/B pra dar um drama, aumentar as marcas das quase nulas rugas do nosso rosto. No tempo que os sonhos todos eram quentes, possíveis e não dormiam em paz na gaveta. Dou risada, mais dez anos e conversaremos de botox, diabetes ou eu tenha mais habilidade para manter uma conversa sobre fraldas.

Um report scene sem trilha sonora, quando a juventude vai secando sempre aparece alguém que começa a gostar de bossa nova e essa música no meu ouvido não emplaca. Coloca no mudo, deixa a mente ir além. Eu tô voltando pra casa, TV ligada sem ninguém na sala, dois lances de escada e logo lembro de nossa foto de dez anos atrás. Naquele tempo cruzávamos a cidade as 3 da manhã de bar em bar com vigor invejável. Tô no terceiro lance de escada e parei pra pegar um ar.

O tempo voa silencioso, desliza na ladeira como um rolemã sem freio. Só se dá conta quando se rala o joelho ou deixa no asfalto o tampão do dedo. Quero uma foto, nossa, tua, congele esse riso pra quando eu voltar.

Quem vive de mudança sempre mexe nas gavetas, reencontra fotos antigas e acorda os sonhos. Eu tô voltando pra casa, tem trilha sonora, foto em P/B pra dar um drama.

Eu achei uma foto nossa de dez anos atrás. Acorde os sonhos, esboce um sorriso. Eu tô voltando pra casa.

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Enchente

14/11/2012 Gritos do Nada

Sigo o lamaçal que inunda as sarjetas
Enchente de chuva, enchente de gente

Carros eternamento parados no trânsito, motores desligados
Ruas e rios, cidade sem verde, coração vazio

Motoqueiros e suas roupas de borracha preta
São como mosquitos sobre o corpo morto da cidade

A esperança é o pôr-do-sol, a noite fria e seca… dormir
O outro dia nem sempre é de bonança, mas é preciso tirar a lama

Quem tem coragem levantou pra enfrentar tudo de novo…
Quem não tem não merece pisar na lama dessa cidade renascida

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Garoa

09/11/2012 Zumbido Fugaz

Por ventura eu estou ficando cansada
é só do mundo e de mim
esse esmalte é tão comum
essas expressões e pessoas…
A cobrança é sempre a mesma
o discurso continua igualmente preso
as calças de cintura alta voltaram
me recorda isso o eterno retorno
que tanto atormenta uma jovem amiga…

Mas chega um rapaz com cabelos de spake
com tênis skatista e argola na boca
que seduz o meu ser ao auge da alegria
faz com que eu tenha vontade de sorrir
de inventar histórias um tanto engraçadas
de grampear as folhas do livro da minha vida
a vida dele, fazendo do nosso livro
a história de amor mais belamente escrita
com os beijos calientes desses dias de garoa!

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Recordar é viver

04/05/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Moça do ônibus

-Esse número de telefone não existe… Por que não anotei o número dela corretamente? Ou será que ela queria se livrar tão rápido de mim que me deu um número qualquer e foi embora zombando da minha cara? Avistei ela hoje por volta das 10h no ônibus, lendo algo que eu achava ser meigo, mas ao me […]

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06/10/2012 Gritos do Nada

Dura é a vida?

Duro é o despertador ligado O sono cortado o café apressado Duro é o caminho sempre longo O coletivo lotado, a dignidade perdida Duro é o trânsito pesado Reflexo de um viver aprisionado. Duro é o trabalho sem sentido Por um salário emagrecido… Duro é o sorriso forçado Pela piada descarada A excitação forçada Pela […]

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24/06/2011 Sonhos Viciados
Café e cerveja e quase sempre água na geladeira

Corações mornos ou a viagem dos indivíduos nulos.

15/09/2011 Gritos do Nada

Saí pra beber!

Fui ao bar nesta noite pensando em não sair de pé Limpei as lágrimas com as mangas da camisa puída Pedi a velha cerveja, tirei 5 conto e perguntei “quanto é?” Quis saber onde é o banheiro e não saber onde é a saída Fingi que cada copo cheio era sua boca E beijei e […]

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24/08/2012 Zumbido Fugaz

De volta a Vênus

Você sempre se equivocou tanto quanto a mim eu que sempre estava presente sempre fazia sorriso com tanto sentido e você com as suas crises existenciais […]

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30/05/2014 Gritos do Nada

O ser invisível – As noites frias na Praça

Limpou a boca na manga da camisa puída Olhou o céu cinza e sentiu as gostas da garoa Sentou-se sobre o meio fio com os pés na sarjeta Deixou-se sentir o frio, escarrou e baixou a cabeça […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: