Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Letargia

Todos os apelidos trocados na infância se refletindo no sepia do meu copo de velho Barreiro.
Todos os meus companheiros de olhos estalados e ensanguentados me encaram.
Miseráveis, rotos, rasgados.
Todos eles se equilibrando no balcão. Odeio terapia de boteco.
Não tem jeito.
Me coço, mais dois copos e estou infiltrado em todos os marginais do botequim sem classe em algum ponto entre o Tietê e a Luz.
Mais dois copos estou neles e eles em mim. Me encosto no balcão.
Letargia de olhos abertos.
Meu terrível fim.



