Na cova dos leões

21/07/2012 Gritos do Nada

Sorri o sorriso dos derrotados
E você se levantou sem me olhar

Deitei a cabeça de volta no travesseiro
Havia já a certeza, dessa vez não voltará

Peguei o celular no criado mudo, mas que importam as horas?
Perguntou-me sobre suas meias, levantou o lençol do chão…

A porta do banheiro aberta me deixava ver
Suas escovas e cremes já estavam na mochila

Me deu um tchau apressado, falou em ligar depois
Sabemos que foi a última vez, sem falar ou sentir

O banheiro estava cheio de você, do seu cheiro
Coloquei uma calça qualquer e fui ao terraço

Na cadeira de plástico uma lembrança sua jazia
Pensei em ligar, pedir pra voltar, dizer que esqueceu algo

Mas preferi fumar o resto dos cigarros no maço que esqueceu
Pra tentar esquecer seu gosto amargo, que já foi doce…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: