Hábitos necrófagos é a legião que se alimenta e regurgita do mesmo submundo. Do mesmo mundo, dos mesmos sabores. Estaremos em todos os cantos e embalagens. Esquinas e palanques. A autoria desses textos é de quem passou a barreira do conformismo e mandou um email pra gente.

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    Últimas Postagens

    Tormenta perfeita

    Fazendo dessas ruínas moradia, sonho com festas & dança, sonho com vento na cabana.

    Tambores ardem nos cantos mais esquecidos do meu corpo.
    Enquanto uma criança entrega o sono nos meus braços de arame e pernas de fantasia.

    Ainda escuto esse oceano infinito [que abre & fecha suas portas] & o sussurro dos montes onde descansam suas árvores imensas que escondem coordenadas de mundos inexplorados.

    Perfeita & delicada tormenta, desaparece com amores em suas ondas de loucura, engana a memória & lança cartas de amor no mar das nossas aflições. 

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    Vilão?

    todo mundo é vilão na história de alguém
    o foda é ser vilão na própria história também

    a faca rasga o braço e o que sai é sangue ou sofrimento?
    eles nem olham no seu olho, mas rápido dizem “eu lamento”
    lamento o que, diz aí? lamenta pelo que eu fiz ou pelo que sofri
    lamenta pelo que eu passei, ou pelo que eu tive que mentir?

    hipocrisia é o nome do jogo, e eu ainda sou aprendiz
    mas logo vou pichar um sorriso no rosto, e dizer que sou feliz

    agora tu diz que queria um sorriso sincero? Felicidade pra valer?

    mas não é isso que eles querem ou que você quer
    porque vocês querem é o silêncio satisfeito de quem não sabe viver!

    Ah é o vilão, deixei esse fio lá no começo, vou fingir que me conheço e dizer que já sofri…
    mas não vou mentir, vou contar que já fiz sofrer,
    que já sorri quando alguém caiu, que já comemorei vendo alguém morrer, que já pensei “que bom que não sou você” quando foi tu lamentou comigo…

    mas se somos todos vilões na história de alguém… quem é que vai querer ser nosso amigo?
    mas se quiser eu fujo contigo… nem que seja as horas que escorrem entre os dedos, nem que seja os piores minutos do dia… me dê a sua pior companhia!
    só não me dê sua desatenção, só não faça pouco de mim… eu já sou tão pouco assim…

    queria levantar a cabeça pra sempre, não dobrar o pescoço e fingir que tem algo no celular
    queria olhar no seu olho e conseguir sustentar…
    encarar o tédio da parede vazia, deixar o pensamento ir sem medo do destino, queria te falar um absurdo, mas sorrindo…

    queria sentir o gosto do seu beijo e do seu desprezo, queria gozar olhando pro espelho, queria cantar aquela música chata, mas que fica na cabeça, queria uma causa nobre, mas que não enlouqueça!
    A revolução quero no meu jardim, o sol da tardinha me fazendo carinhos no rosto, ela por mim, eu dando desgosto…

    Esquece esquece, esqueci do caminho, não sei pra onde vai, há caminhos que só se fazem sozinho, por ser longe demais.
    tem aquele momento que só tem uma pessoa que pode ver o seu fracasso
    esse momento chega todo dia, e essa pessoa só pode ser você.

    todo mundo é vilão na história de alguém
    o foda é ser vilão na sua história também

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    Os gritos que não dei

    Seguro o choro segura o choro!
    Que agora é hora de sorrir! finge um sorriso pro insta!
    segura essa lágrima que quer cair!!

    todo mundo te pergunta se você tá bem, mas ninguém quer a resposta!
    Cada um fechadinho no seu mundinho de bosta!
    abre a janela, tira o olho do celular!

    Pega o sol, a vida bela, se dê o direito de se amar!
    passa vergonha, esqueça essa pose, deixa de cerimônia, fica sem neurose!
    Diz o que quer, fala sem pensar, pode se arrepender, ninguém vai notar…
    a vida é sua e é uma só! piscamos o olho e viramos pó!

    tá… e eu?
    eu tô certo, sendo todo errado, outro ano vencendo, mas sendo derrotado!
    professor vagabundo, mas adorado! Revoltado com o mundo, mas satisfeito! Tudo que me fortalece eu carrego no peito!

    Minha força vem do amor que é compartilhado dos beijos e dos abraços apertados!
    dos sorrisos que não me foram negados, de não sofrer pelo passado!

    Desculpa eu não quero e nem peço, dos meus erros eu prefiro pagar o preço.
    E é caro se manter fiel a si mesmo, só eu sei… arrependido?
    só dos gritos que não dei!

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    Reza em hospital

    Tento lembrar se existia paz quando minha única morada eram as ruas líquidas do ventre da minha mãe.

    Reza em hospital.

    Peço a Deus ao menos os grunhidos das crianças lá fora. 

    Mergulho no meu mais triste silêncio.

    Os doutores, os relatórios, os sinais perversos dos desastres naturais que nos arrebatem.

    Eu rezo, quem sabe a sorte sufoque o amanhã.

    O turno, os operários, a lembrança mais remota que tenho é uma cidade do interior.

    Regressão num leito frio. A terapia que antecede a morte.

    Eu rezo. As vezes eu quero ir embora, hoje eu não vou. Do que será que sonham as máquinas?

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    Jogadas ao vento

    As paredes não enxergam
    Mas dizem que tem ouvidos
    
    Beliscam azulejos, beijam cotovelos
    Os loucos fazem o impossível
    
    Deita sobre a relva o amor
    Que se desfaz em orvalho na grama
    
    Só entende quem ama!
    Mas tudo está por dizer
    
    Nada NUNCA foi feito
    E sem feito nada será
    
    Cubro o rosto com a capa
    Mas capa aqui não há 
    
    Os murmúrios me adoecem
    Prefiro os gritos e os risos
    Seguro o peito que deita lágrimas
    Escorre o que corre pelo rosto
    Não há sinal de gosto ou desgosto Se chora por tudo, principalmente por nada
    Sigo reto nessa estrada? Ou paro e fico um pouco? Queria gritar, mas já fiquei rouco Queria correr, mas já estou morto
    Quantos quilos tem o arrependimento?
    Pesa mais que cimento o sentimento
    Não há volta que permita consertar Fecha o olho, limpa a cara e vai
    Outros erros vai cometer
    Outras vezes vai magoar Quantas vezes vai sofrer? Quantas horas vai chorar? Quem quer viver pra sempre? Repetir os mesmos erros? Quem quer morrer hoje?
    E não ter tempo de comete-los?
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    Ruas, pessoas e perdidos

    Rua, pessoas e movimentos estreitos
    Olho pra fora, o mundo já não é o mesmo

    Prende a respiração, segura o choro
    Olho pra dentro, vazio e desespero.

    No chão bitucas de sorrisos
    No céu o canto triste das estrelas

    Tudo é meio, nada é fim
    Os mesmos erros que não canso de repetir

    Toda noite eles cantam pra mim
    Amanhã, pessoas e movimentos estreitos

    Suicídio lento, um dia por vez

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