Ultraje a rigor – Nós vamos invadir a sua praia – Andréa Ascenção

13/02/2012 Resenhas de Livros


Uma, duas páginas e já deu vontade de pegar um ônibus e cair na estrada. Se ser jogador de futebol não era teu sonho, talvez botar o pé na estada sim. Aterrorizar hotéis e estar em duas cidades num mesmo dia. Ia ser uma boa.

Na terceira página você quase liga pros amigos e pensa numa reunião, quem sabe, não sei. Talvez dê certo, “porque rock é isso ai três acordes e vamo embora”. Inspirador, não?
[quote_right]”Algumas músicas, segundo Maurício, nascem com o refrão, às vezes letras, às vezes cerveja…”[/quote_right]
Talvez se fossêmos menos inúteis e isso cara, é complexo. No fim quis mesmo é estar na estrada com os ultrajes. Dividir todas as piadas, os programas de domingo. Show na paulista de improviso ou milhares num Rock in Rio.

A história de uma das maiores bandas do rock nacional, goste ou não, só pelo fato de atravessar décadas já é invejável.

“O Brasil é radical, é tudo ou nada. Tava falando com um amigo meu que é executivo e ele falou: o Brasil não tem classe média. […] O Brasil não tem um lugar que você possa tocar e dê alguma grana. Você faz um show para milhares de pessoas, ou tem que tocar você e um violão num barzinho”

Isso aqui abre uma discussão e o livro ata outros diversos nós. Inicia no tom cartilha. Quem não sabe nada de rock já vai ter algum panorama e quem já tem, segue numa boa sem cansaço. O encadernado segue focado nas situações e no melhor da festa. O lado que pouca gente conhece. As lutas pra divulgar o trabalho, ficar na gravadora e ceder aos interesses ou desinteresses.

Leitura certeira e descontraída, se achar um massacre ver toda a história musical de cada integrante que entra sai, fique firme, logo uma nova situação vai te surpreender.

No fim vai as letras pra cantar junto, mas duvido do ser que não sabe cantarolar ao menos algum trechinho.

Acho que é isso, temos ainda muitas praias pra invadir, muita gente pra ter ciúme, muitas farras com marylou , nu com a mão no bolso.

E nosso pais não precisa de inimigos nomeados pra gente se rebelar, afinal, ainda escrevemos e não publicamos, fazemos música e nada, ainda tem gringo achando que somos indigente. Como é? morar nesse pais é como ter a mãe na zona, você sabe que ela não presta, mas adora essa gatona.

Pois é, muita praia pra invadir e fico feliz por ter em mãos um documentos desses.

Livrão. Corajoso. Mais bandas mereciam um relato desses. Nota 8.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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