
Não havia mais feno ou água
Havia deixado para trás aliados e passado
Vencido pelo cansaço e pelas mágoas
Apeou-se com dificuldade do cavalo
Subiu à um monte e seu olho brilhou
Avistou, enfim, algo para ajudá-lo
Ao longe viu um castelo, e pra lá caminhou
Aquela imagem era de salvação e desespero
Pois o lembrava do que queria esquecer
No fundo da memória a lembrança do desterro
Seu castelo em chamas e sua princesa a morrer
Bateu sem vontade às portas do castelo
Que se abriram sem nada questionar
No meio do pátio um velho de braços abertos
Seu cavalo foi a fonte, beber, à ele sobrou caminhar
O velho homem não perguntava e nem respondia
Os braços abertos como que a convidar
Aproximou-se e, relutante, foi o abraçar
Apertou-se ao velho com a vontade de quem sofria
Afastou-se e o que viu reavivou-lhe a mágoa
Correu ao cavalo para seguir seu caminho
Ficou louco pelas perdas, pois abraçou-se a uma estátua
E percebeu, sobre seu cavalo, que era para sempre sozinho
