Cherry andava aflita pelos cantos.
Se encantava pela dor das pessoas,
Cultuava suas dores, as amava,
Queria fazer um curativo e ver
A ferida fechando lentamente.
A dor deles não era maior que a dela,
que com tanta inteligência
Não entendia o desprezo dos pais,
porque, alias, falava três línguas fluentemente
E é uma psicanalista nata, bem vestida.
E mesmo assim ainda é band aid,
de um jeito ou de outro de certas
Peças do destino não dá pra fugir.
Tem pessoa que foi feita para ser temporária,
até que se ache o profissional adequado para aquela função.
Ela pode trocar o modo de prender o cabelo,
mas continuará a mesma tapa buraco miserável de sempre.
Porque ela não é harmoniosa em questões do amor
Mas feita para curar e ser removida da sua morada.
Cherry

One thought on “Cherry”