E de longe vemos as torres caírem… deixou de ser real
Real foi o cheiro de poeira que “vazou” da televisão…
O mundo inteiro sem palavras assistiu a fragilidade do gigante ao vivo
Que ficou mais feroz e faz todos pagarem pela audácia de arranhá-lo
Feio chamar de arranhão a morte de tantos inocentes, americanos ou não.
Que morreram em escombros, pelas ruas de NY, pelas ruelas de Bagdá
Mortos não tem nacionalidade, nem ódio vingativo, apesar da propaganda oficial
Que chama de números os cadáveres de turbante e heróis os mortos do WTC
Como se o sofrimento fosse algo que depende de idioma e religião
Como se a vida tivesse valor diferente dependendo da região.
Cada um tem uma lembrança, algo que marcou e todas são fora do normal…
Lembro do silêncio do repórter que, como eu, via ao vivo uma realidade surreal
Ali começou um novo século, com as sombras do terrorismo cobrindo nosso futuro
Começou um novo século, com os vícios do anterior aliados às novidades tristes…
Vimos novas guerras intermináveis, cidades destruídas, mães desesperadas
De cada lado meninos voltaram pra casa envoltos em bandeiras sem significado
Viramos mais um século nos dividindo entre leste e oeste, entre norte e sul
Outro século olho por olho… onde a solução vem do céu, em forma de bombas
Mas neste século não precisamos nos preocupar, tudo é com os outros e longe
Assistimos estarrecidos as barbaridades e assinamos petições on line!
Nossos celulares moderníssimos, nos aprisionam no nosso próprio mundo
Cada um de nós um pouco autista que não tira os olhos das telinhas…
O mundo mudou e muda a toda hora… somos reféns de um futuro perdido
Entre papéis, esperança e escombros numa manhã ensolarada de setembro…
