Coletivo Zero Cinco – Nasci da boa vontade de prostitutas!

21/12/2009 Coletivo - Colunas

Tece o mundo lá fora um rosário
E eu rezo junto, mesmo sem crer

Escuto esses sussuros de disforra
Vejo nas ruas sangue e lágrimas a escorrer

Não vi mais decência ou clemência
Onde estarão os bons corações?

Se perderam nesse luto, nessa crença?
Onde a idéia de 1 mata milhões?

Nem sei se é mais ódio,
sei que me fere e cansa os olhos.

Quero a esperança de antes,
brotando no peito.

A certeza que nas mãos,
minutas mãos, haveria salvação.

E hoje me parece,
que ninguém quer ser salvo.

Vejo os bares cheios,
as vilas mortas.

Nem as igrejas mais,
gritam como antes.

Todos congelam na frequencia,
de microondas e televisores.

O gosto estúpido,
corta as paredes do estômago.

O balanço do trem cheio me deixa com nojo.
As pessoas viciadas nem percebem minha vista turva.

Esse discurso parece dos velhos russos,
que nem viram suas vilas floridas.

E eu, nem quero que termine,
quero ver essa cidade odiosa.

Quero sentir seus becos escuros,
seus bares mediocres.

Quero cortar meus braços,
e que essa noite estoure meus miolos.

mais uma vez.
Eu rezo junto sem crer.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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