O que se esconde entre nervos e ossos
Perdido entre sangue e asco
Dedos que tocam os nossos corpos?
Ou que desfazem os parcos laços?
A áspera tez dos meus dedos
A suada palma que puxou teus cabelos.
Se tornou o elo dos teus experimentos
Cuspi meu sangue em seu rosto
E lambi também suas feridas
Quero sentir mesmo é o gostos
Das suas chagas abertas, fedidas…
A beira da morte,
se equilibrando no precipício.
Olha amor, as fissuras.
O teco de carne com sangue aparente.
Olha o líquido viçoso que escorre
Que nos mancha a pela e os lábios
E nos deixa junto do gosto do sangue
A vontade de ter mais e mais e mais
Olha amor. Puxa só mais um pouquinho.
Secreção. A dor é nossa penitência.
Foi esse o destino que escolhemos.
Perda-se de mim ou dos meus gritos
Abosorva-se no som da pela separando-se
Não escutes os gritos de horror
Apenas sorria, amor, apenas sorria
Admire, contemple.
Restou seus estudos no ármario
Nossos erros viciados.
Sinto cheiro de carne queimada.
Seus fetiches e manias,
minha arrogância e teimosia.
Olha amor, vou caminhar entre as pás que construímos
de um mundo que criamos no silêncio de uma máscara.
Amor.
Se já não mais há volta
e se equilibrar é o que nos resta:
Abre só mais um poquinho.
Vai ter carne pra jantar.
