Os olhos cheios de alcool não apenas estranham a luz do dia, mas sim a amaldiçoa!
Ela cospe uns palavrões para a cortina aberta e para quem a abriu!
– Fecha essa merda, porra!! Grita a moça gorda que ainda jaz na cama.
A moça em pé, de cabelos castanhos e corpo esguio, responde:
– Já tá na hora de ir trabalhar Irina!
Irina olha a moça dentro dos olhos, ignora seus seios rijos pelo frio da manhã, não liga pra sua buceta lisinha, não pensa em morder sua bunda redonda… mastigando ódio ela responde:
– Vai se fuder! Eu quero dormir! E em mim mando eu!
A moça baixa os olhos, começa a reclamar da grana sempre curta, das faltas ao trabalho recorrentes… e desabafa:
– Porra Irina! A vida não é só fuder não! Se eu te acordo é porque estou pensando na NOSSA vida!
Irina deita a cabeça no travesseiro, olha o teto manchado de infiltração, lembra do filho da puta do pedreiro que não volta pra arrumar essa merda, pensa no senhorio com cara de rato que fica olhando a bunda da Vanessa toda vez que ela passa, pensa que já tá de saco cheio dessa história de ter sempre alguém na casa dela, ter sempre alguém na sua mesa, de saco cheio do ciúmes, das explicações…
– Vanessa, presta atenção, não tem nossa vida… e sabe por que? Porque não tem nós. Arruma as suas coisas, não quero mais.
Irina se vira e cobre a cabeça com o lençol, Vanessa chora, mas dessa vez bem baixinho, passa a sentir vergonha de estar nua, começa a pegar suas roupas no chão, abre o armário, pega a mochila e a mala e enche…
Não trocaram mais palavras, Irina disse-lhe tudo que queria, embora saiba que não deveria. Irina fica triste uns instantes, pensa se vai ou não se apaixonar um dia… seja como for, pensa ela, não é pela Vanessa com certeza.
Dormiu o resto da tarde, era quinta e se lembrou que podia passar lá no bar e ficar de barwoman (ou barsapata como gostava de frisar pro dono do bar) então escova os dentes fumando um cigarro, coloca suas roupas noturnas, uma camiseta do System, uma calça jeans velha e um all star preto… tudo bem mais apertado do que deveria.
Chega cedo, mas já tem gente no bar. Avisa o dono, combina o “cachê” e resolve tomar um copo de Whisky antes de ir pra trás do balcão porque vê, sozinha numa mesa, a mina que dispensou a Vanessa antes dela…
Écira beberica sua cerveja e sorri quando Irina chega na sua mesa:
– E ai Irina, não foi trabalhar hoje, né? Fala sorrindo, mas sem nenhuma surpresa
– Hoje tirei o dia pra dispensar a Vanessa… responde Irina enquanto senta devagar, e com dificuldade, nessas merdas de cadeiras de metal do caralho.
Écira arregala os olhos, ajeita o cabelo… lembra do quanto Vanessa chorou quando terminou com ela, e elas só tinham ficado 3 vezes… foi constrangedor.
– E você também voltou a namorar homem, ou só foi a mim que ficar com a Vanessa decepcionou tanto? Gargalha Écira.
– Homem? Nem fudendo! Cansei da chatice dela…
– Ela continuou perguntando de tudo, Irina? Prossegue Écira.
Irina mastiga os cubos de gelo do whisky, fica imaginando como será que eram as duas, Vanessa e Écira, juntas nuas…
Alguém liga o som e acorda Irina do seu devaneio… levantando ela responde à Écira:
– Como a maioria das mulheres, ela é saborosa e insuportável.