Ainda olho com saudade e com amor para a noite
E pelos caminhos, pela janela do trem, rogo por seu afago
Clamarei por seu toque, por seu amor pra ser mais claro
E sentirei bater essa saudade de cada noite como um açoite
Me lembro de cada torto passo embriagado pelas calçadas
E das risadas que se perderam pelas esquinas escuras
Não esquecerei das mulheres sorridentes que já foram puras
E que sorriem a cada beijo, como se fossem de fato amadas
Lembrarei dos palavrões, dos gritos e das brigas!
Das camisas rasgadas, dos rotos sujos que foram ao chão
Como esquecer dos narizes quebrados e do sangue na mão
Das corridas desesperadas, da fuga da polícia
Minhas noites não tinham nome, nem rostos, mas tiveram fim
Tinham os risos anônimos, os copos magicamente cheios
Também tive os abraços abertados, os decotes, os seios
Minhas noites não acabaram, só não são mais pra mim.
