Bandeiras e teorias silenciam as madrugadas.
Os radicais mostram os dentes
e a direita o atraso.
Estaciono entre as forças dogmáticas quase autoritárias
e a insurgência louca dos desfavorecidos.
Durmo no silêncio das madrugadas.
Na era que seu valor é medido,
em fios de diamante com pureza contestável.
A revolta e os pensadores barbados que admiro,
tiram um cochilo, uma espécie de vírus adormecido.
Estaciono entre forças que me paralizam,
sufocado por bandeiras e teorias [que silenciam as madrugadas.]
Já mostrei os dentes e me anulei no retrocesso.
Eu tenho um vírus adormecido e um glaucoma que cresce a cada dia.
Durmo no silêncio das madrugadas.
Inerte.
Na era que não existe heróis e nem foragidos.
Preciso parar com os remédios,
e aceitar meu vírus.

Bandeiras e teorias silenciam na madrugada
Bandeiras e teorias que não indicam mais nada
Bandeiras perdidas ao chão,
Teorias presas nas cabeças
Badernas e gritarias presas
Cacetes e gases dizem não!
Seguram nossa vida entre as mãos
Perdidos estão os dedos na marionete
6 bilhões envolvidos na solidão
Esfregando com força o sabonete
Seguros estão os donos das paredes
Que nem se preocupam em esconder
Hoje em dia já baixam o vidro da mercedez
Olham satisfeitos o nosso correr
E agora mentir já não basta
Já sabemos: somos só rebanhos
E sabes que rebanho só pasta
E o bom rebanho pasta sem sonhos