Volto pra cidade da minha infância
Retorno num domingo que esvazia as ruas.
Encaro as esquinas que ao poucos perdi a inocência
Dobro ruas e cantos, um origami sem forma e cor.
As portas fechadas e as janelas deixam escapar o som da TV.
Futebol é bom pra isso, deixa as ruas vazias. E acho que essa cidade é mais bonita assim, quase fantasma.
Como as histórias e nomes que esbarrei aqui.
Algo mudou, quase tudo continua igual. Algum prédio cresceu. Penso que o tempo é o único cara que trabalha.
Não deu saudade. Nem medo das rugas. Outra vez girei o tambor e brinquei de roleta russa.
Talvez não tenha perdido toda a minha inocência.
