Hoje conversei com meus desenhos,
tentativa deseperada, esquizofrenica.
Deve ter sido o susto, de ver os prédios distorcidos,
as pessoas embriagadas e as ruas sujas.
Decidi deixar em casa meus óculos,
pois assim, me parece que é o mundo.
Tudo desfocado.
Com o concreto gélido,
com as pessoas do ártico.
Foi ai que me deparei no espelho.
Que vi minha cara deformada,
tão estranha como as formas do concreto.
No susto apunhalei a arma e disparei.
Nela.
A Esperança.
De certo que minha vista limitada,
imprimi na minha mente o mundo que eu julgo.
Ela me mostra e eu dou a setença.
Com horror, sem escrúpulos.
Do mesmo jeito que via Esperança, uma vadia aflita.
Por isso os disparos,
que marcaram minha roupa de sangue.
Já não existem mais heróis
e Esperança não vale nada.
Esperança em descrédito, profanada.
Na cidade fria eu não contive.
Três disparos.
Já não mais os suspiros de Esperança,
ela já não me engana.
Só descansa, pacífica.
Porém seu sangue ainda contamina a minha garganta.
E nessa hora, os prédios gritam e as pessoas se calam.
Esse é texto de alguns anos atrás e nem sei se já foi publicado aqui, mas tempos de mudanças, de inicios e fins merecem esperança.
