Me diga as horas, eu vou embora

19/08/2011 Sonhos Viciados

É comprido e vai todo mundo se foder. Na real é só um bar que toca Camisa de Vênus. Sei lá quais desvios a vida da, mas sempre dou de cara num copo de cerveja. Quase um retiro espiritual, quem sabe vejo a sorte no fundo de um copo americano. Quem sabe?

Isso é repetição, uma dose, só mais uma dose, um quase soma do admirável mundo de Huxley. Ao menos na ficção era o governo que dopava o povo. Deve ter uma explicação filosófica ou sociológica pra isso, mas eu não sei, só gosto da ideia de saber que nós precisamos de um alívio, seja lá quem promova.

O governo ainda não paga minha cerveja, mas vá lá, escolhi o bar que toca Camisa de Vênus. Essa é a minha casa, esse é o meu lar. Não tem olho mágico, mas o pessoal do carteado não para de gritar. Oh, crianças isso é só o fim.

Ninguém quer o fim, ao menos se você ainda acredita nos finais praticados pela Disney, e foram felizes para sempre. Oh crianças! Cuidado! Há um abismo na porta principal!

O copo soa frio e seca na solidão da minha sede. Meninos prodígios pedem truco, mas deixemos a classe e a sedução para as meninas. Eu vou querer tudo igualzinho ao comercial da televisão.

Escolhi um bar que toca Camisa de Vênus, mas já vou embora, não há mais festa, nem carnaval, o que me consola que em minha casa eu tenho um quarto e me tranco nele todos os dias.

Minha humilde homenagem a uma das primeiras bandas que conheci!

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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