Um fantasma

29/06/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Eu mergulho nesse mar salgado
e deixo-me afundar, afundar…
Outra chamada, a sua voz distante
eu sei que dessa vez não é o sinal
dessa vez não é problema do celular.
Doce e cruel o baque me assusta
eu tento enganar minha razão
verifico outra vez a conexão
o fone está conectado, o sinal ótimo.

Entro no trem congelado
não consigo visualizar nada
estou tão perdida na minha dor
que os olhares curiosos
pouco podem importar agora.

Estouro os meus tímpanos
ouvindo uma melodia qualquer
da qual nem a letra lembro
hoje eu não canto, nem sorrio
nem converso com as fadas
hoje acordei como um fantasma
com um coração que parece
que a qualquer momento vai parar…

Sua gentileza é irônica
faz-me soluçar na noite de neblina
tenho você entretido e feliz
queria ser como você
mas realmente não tenho motivos
não tenho você aqui de verdade.

Quando foi que te perdi?
Foi naquela conversa de terça?
Eu ainda vou poder te abraçar?
ter meu néctar divino para viver?
Algum dia você voltará igual?

Um certo alguém simples que busca conhecimento e auto-conhecimento através dos escritos. Que se encanta por olhares e perde a noção do tempo tentando desvendá-los...

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: