03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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31 dias e o complexo de Teseu

01/06/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Se foram os 31 dias de muita baboseira por aqui, sinto que nunca escrevi tanto na vida e isso me pareceu um bom hábito. Revivi cada palavra e num sopro as dei de graça. Meias palavras doentes de caras que não sabem onde por a vírgula e que rima boa nem sempre é dos repentistas. Assim foram os dias, de caras que pensam que são mais fortes do realmente são e que reduzem afetos em versos truncados, errados e instintivos.

Longe das academias e letrados se escreve de um jeito estranho, decadente e aleatório. Triste como o relógio e alucinante como guiar uma moto a muitos kilometros por hora. E isso tem algo de belo. Não nos reduza a comparações absurdas, não seremos pomposos na escrita, nem novos gênios da literatura.

E isso tem algo de belo, mesmo esses versos equivocados, destreinados e urgentes. São belos!

Para entender a beleza é preciso questiona-lá. É muito fácil achar belo um quadro de Van Eyck, qualquer um acha. O rigor técnico é surpreendente e chamem de talento o que mais quiser chamar, seus quadros assustam tanto como um Jesus de ferida aberta feita pelo Caravaggio. Beethoven é conhecido até hoje por criancinhas e por caras que não entendem nada de música clássica – como eu. Mas sempre nos deparamos com um abismo que divide esses caras a nós. Inevitável é se surpreender pela obra e achar que nunca seremos capazes de fazer tal feito. Reduzir fronteiras e chegar num ponto secreto é muito mais belo que o rigor técnico quase que exibicionista de muitos artistas. Tocar sem usar as mãos é mais uma para a coleção de mistérios da vida.

Certa vez vi os olhos de um matemático observando a solução de suas três folhas de cálculos. Via o caminho que acabará de percorrer, mesmo atônico soltava um riso vitorioso. Desvendava entre suas derivadas duplas e integrais um dilema. Acabará de se apaixonar. E achava aqueles rabiscos, números, xis e alfas o mais belo dos monumentos. Achava belo pois passou a entender. Compreendeu os sistemas complexos e dado o instante que soube interpretar e desvendar os mistérios viu a beleza e profundidade que esses códigos continham.

Assim como esses textos, tão possíveis, que qualquer um pode escrever. A beleza está em desvendar os códigos, alguns simples e outros complexos. Não existe abismo entre caras sem talento que escrevem mesmo sem saber. Ué, no fim nascemos sem saber e vamos vivendo mesmo sem ter nenhuma habilidade para tal.

Os olhos do matemático ainda contemplam a beleza de suas folhas, o poeta que matou meus pseudônimos ainda leva em si um sorriso e eu desde então de sopro em sopro dou essas migalhas corajosas. E isso tem algo de belo.

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Terminou o mês de Maio!

31/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Puta que pariu! Terminou!
Complicado ter obrigação
Foi um tapa na cara
Pra mostrar que não sou bom!

Falei de tudo, aproveitei
Mas admito, sem vergonha
Falei quase sempre do que não sei!

Não sou poeta, não sou cronista
Sou só um bobo, exibicionista!

Não sou poeta, não sou ninguém!
Aliás, senão sou poeta, não sou ninguém!

E sendo assim posso dizer:
Poesia é o mundo todo
E ser poeta é só saber viver!

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Não refaça o verso

Ontem ela me disse que leu algo que mudou a sua vida. Para ser menos trágico mudou um dos seus hábitos. Ela leu uma coisa que invadiu uma área que talvez eu nunca alcance. Logo eu, tão egoísta.

Que quis ser tão dono de ti e de seus milimetros. Fui derrubado por algo que você leu e que mudou sua vida. Pensei nos meus rascunhos tão egoístas, que só servem pra mudar meus hábitos e arrancar de mim o tédio da rotina. Evidente que nunca tive a pretensão de mudar a vida de ninguém, nem mesmo seus pequenos hábitos. Mas dela, logo dela, eu dei pra mim essa obrigação.

Logo ontem, que me senti tão fracassado. Vi um texto meu, bem velho, desses egoístas, só meus que alguém botou a mão. Pior, mataram o verso. Mataram a graça, a irônia, tiraram dele a sacanagem. Como justificativa me disseram que as palavras eram rudes, desnecessárias. O preço foi a tristeza de um bife morno, apático. Um verso fraco.

Quis dizer amante, no sentido sexual mesmo. Amante de cúmplice, de segredo. Mas botaram lá um companheiro. Pensei nos filmes quando retratam comunistas. Não queria agradecer um camarada e nunca transei com um companheiro, nem companheira. Só transei com minhas amantes.

E essas histórias todas me disseram boa noite, um ai de respeito aos versos indecifráveis, ao mistério malidicente aglutinado neles. Eles assim, preservados, levam o poder súbito de mudar seus hábitos.

Por isso, não refaça o verso.

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Daffine!

29/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Acho que ela me entende…
mesmo fria máquina de correr
As minhas vontades e frustração
Seu motor parece até compreender

E passam as horas, os dias,
E nos corremos entre os carros
Não, nem garoa e nem frio me param
Pois estar sobre ela é como um abraço

E o asfalto, que é caminho e fim
Onde escrevemos nossa história
é a testemunha do meu amor a ti

E de um amor bobo a velocidade
Que se manifesta no vento
Que toca meu rosto atrás da viseira
E me faz dono do espaço e do tempo

Eu te amo minha Daffine pequena
Que me leva e me carrega sem reclamar
Eu te amo minha moto sem problema
De um jeito que só a uma moto posso amar!

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Recordar é viver

07/11/2009 Colunas - Gritos do Nada

Chato!

Fico ouvindo esses murmurios lá foraE me dão sempre muito sono…Estou cansado disso tudo ai… E acordo tarde, durmo tarde…Espero nunca encontrar ninguém pra onde vou E mesmo assim eles me cansam…Esses garotos com celulares arrotando FunkEssas meninas de mini-saias gritando e rindoOs amigos que falam alto e bebem… me cansam! E não me venha […]

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09/04/2013 Colunas - Zumbido Fugaz

Foi para os céus

Ela voou junto com os pássaros Verteu o canto dos menos ásperos Acenou pra mim com uma asa Que me fez seguir para casa Com lágrimas repreendidas Que por poucos eram compreendidas Surgem quando menos espero Até quando inicio o meu bolero Penso como foi sua despedida Se estava sã ou perdida Terás pensado em […]

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06/10/2014 Zumbido Fugaz
Pintei a cara de branco para me salvar...

Quase um demônio

29/01/2013 Zumbido Fugaz

Imperfeição perfeita

Eu não quero dias de final de novela com você eu quero todo drama, toda emoção, todas as brigas para constantemente acabarmos nos atacando em beijos tão calorosos como de filmes adultos! Eu não quero toda perfeição de um lorde eu quero seus defeitos, seus deleites por cerveja sua queda por vídeo game com os […]

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18/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Ramones e Anos 90… saudades!

Eu não me acostumoCom as roupas coloridasCom as girias produzidas Nem consigo ouvirAs guitarras limpinhasAs vozes tão finas Me irrita o olharE é estranho verEsses all star`s limpinhosNem rasgados, tão fofinhos Essa impessoalidadeA falsidade dos abraçosA loucura das bebidasTudo bobo e sem sentido Talvez seja eu o idiotaPregado nas coisas do passadoOnde cada um era […]

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30/07/2010 Colunas - Gritos do Nada

Corpo Nu

Ela tirou todas as peças…Um corpo Nu! Vazio de roupasCheio de lembrançasUm corpo nu de pele branca Sem marcas, límpido…Em pé eu te assistoDeitada, sonolentaAmeaça se levantar… Eu digo que fico… Que fiz pra ter seu corpo?Onde foi que acertei?Vejo paz e medo no seu rosto…E digo: por pouco não chorei! Olho, e a busca […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: