Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Já dei nome pior ao tempo…
Engraçado como em cinco minutos o humor muda,
como o relógio nunca titubeia.
Infalível.
Se tem algo de maldito é esse velho,
que me fez companhia junto as lembranças.
Nem meu disco mais barulhento foi capaz de espantar.
Daí veio a noite e essas memórias,
pensei nas pessoas que passaram na minha vida,
das coisas que elas me levaram
e dos tesouros que pra mim doaram.
Pensei em todas, nas que só passaram e nem falaram adeus,
nas que deram o tapinha nas costas antes de desaparecer
e aquelas que resistiram ou fizeram promessas.
E foi a falta de experiência, da troca…
que as levaram pra longe, tão longe
que nunca mais as vi.
Lembrei dos gigantes que comigo dividiram cálices,
os amaldiçoados e os gloriosos imponentes na vitória.
Lembrei das suas faces desesperadas,
dos olhos saltando,
da doce sarja e da névoa noturna.
Revivi as palavras de certeza, de quem vai,
que vai feliz e seguro.
As palavras de bocas ferozes.
E veio as histórias, todas elas.
Que se projetaram em minhas costas
como video-clipes,
iluminando pecados em noites de musica e prosa…