Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
O Eterno Retorno
Eu continuo sem fazer a barba,
Escolhi hoje uma calça surrada.
O chefe diz que é melhor eu me endireitar.
Que se foi a produtividade.
Eu nem ligo, nem sei, não tô pra ser ouvidos.
Lá fora chove, como todos dias vem chovendo.
Eu penso nos olhares que dão lição ao vento,
eu penso na minha dor nos braços.
Ele fala mais algo,
e senti que estou longe.
Eu penso na janta,
na gente,
das noites embriagadas…
Olho a janela e deixo um suspiro.
Como aquele que deixei pra ela.
Um suspiro e só um segredo no ouvido


