E se a parede da cozinha visse ou ouvisse
Sentiria inveja dos suspiros, dos beijos?
Diria que nosso amor é nosso esconderijo
E que sem isso talvez eu não existisse?
Me sorriria compreensiva, enquanto arrumo a blusa?
Riria conosco das piadas bobas que contei?
Repetiria, invejosa, entre dentes as juras que falei?
E olharia de lado, com raiva, a minha musa?
A parede da cozinha deve desejar a vida dos nossos abraços!
A vontade com que entrelaçamos braços, cabelos e o corpo
Bem melhor que ser inanimada parede branca, objeto morto!
Deve querer nossa felicidade ou dos beijos um pequeno pedaço
Da parede branca eu nem me recordo,
De você, nunca nem quero esquecer
Nem dos abraços ou beijos de enlouquecer
Feliz sim, pois desse sonho não acordo
